Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e afeta até US$ 11 bilhões em exportações

22/07/2026 às 18:14:58
Foto: Marcello Casal/JrAgência Brasil

Começou a vigorar nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% imposta pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. A medida atinge cerca de 19% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano e pode impactar entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões em vendas externas, segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). O governo dos EUA justifica a decisão com alegações de práticas comerciais consideradas "desleais", argumento rejeitado pelo governo brasileiro.

Ao todo, cerca de 2,3 mil produtos brasileiros passam a ser atingidos pela nova tarifa. A maior parte pertence aos setores de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados. Durante as negociações entre os dois países, aproximadamente 700 produtos foram excluídos da medida, número superior aos 615 itens inicialmente previstos para isenção.

Segundo o governo brasileiro, os Estados Unidos são o principal destino das exportações nacionais de produtos eletroeletrônicos e respondem por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos, o que amplia os impactos sobre a indústria nacional.

Os estados de São Paulo e Santa Catarina concentram mais da metade dos prejuízos provocados pelo tarifaço. São Paulo reúne 41,6% do valor total das exportações afetadas, enquanto Santa Catarina enfrenta o maior impacto proporcional, com 68% das vendas destinadas aos Estados Unidos atingidas pela nova cobrança.

Justificativas e reação brasileira

A taxação foi resultado de um processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Entre os argumentos apresentados pelo órgão estão questões relacionadas ao Pix e à regulação das redes sociais, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual e acordos comerciais preferenciais firmados pelo Brasil com México e Índia.

O governo brasileiro contesta as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos e afirma que a decisão possui motivação política. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante as negociações os representantes norte-americanos defenderam uma abertura ampla do mercado brasileiro, sem oferecer contrapartidas ao país.

Para Brasília, as alegações apresentadas pelo governo dos Estados Unidos não refletem a realidade das relações comerciais entre os dois países e não justificam a adoção das tarifas adicionais.

Estratégia para reduzir impactos

Como resposta ao tarifaço, o governo federal anunciou a retomada de um programa de apoio aos setores afetados. Entre as medidas previstas estão linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de ações para facilitar o escoamento da produção para novos mercados consumidores.

O governo também estuda flexibilizar temporariamente regras do regime de isenção, suspensão ou restituição de tributos incidentes sobre insumos utilizados na fabricação de mercadorias destinadas à exportação, como forma de reduzir os custos para as empresas.

Paralelamente, a Apex-Brasil prepara um plano de R$ 130 milhões voltado à diversificação das exportações brasileiras. A estratégia prevê ampliar a presença dos produtos nacionais na União Europeia, em países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, além de mercados da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão.

A expectativa é que o plano seja divulgado em agosto e sirva como uma das principais estratégias para reduzir a dependência do mercado norte-americano e ampliar o acesso dos produtos brasileiros a novos parceiros comerciais.

Fonte: Agência Brasil