Sérgio Reis insiste em tentar atribuir a adversários o resultado da sua própria tragédia administrativa

23/06/2026 às 14:59:04
Resumo: Enquanto a gestão contesta a dura realidade do município, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) aponta restrições orçamentárias que levaram à suspensão de grandes shows no município.

A mais recente crise envolvendo o Festival da Mandioca em Lagarto expõe, mais uma vez, o choque entre a narrativa política da gestão e os limites impostos pela realidade fiscal do município. Em vídeo recente publicado nas redes sociais, o prefeito de Lagarto, Sérgio Reis, novamente tentou associar a decisão do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE) a adversários políticos, com o objetivo de deslocar a responsabilidade pelo cancelamento dos grandes shows do evento.

Ocorre que a medida do TCE não decorre de disputa política, mas sim de uma análise técnica sobre a capacidade financeira do município. O órgão identificou restrições relevantes, como comprometimento de despesas obrigatórias, bloqueios de recursos e acúmulo de obrigações financeiras, elementos que fundamentaram a suspensão cautelar das contratações de alto custo.

Nesse cenário, a tentativa de politizar a decisão enfraquece a argumentação da gestão e evidencia fragilidade na condução do debate fiscal do município, deixando sem resposta clara e objetiva os problemas da administração. Mais do que um debate sobre o festival em si, a tentativa do prefeito Sérgio de desviar a discussão para o campo emocional e de vitimização demonstra a fragilidade de uma gestão que se elegeu prometendo fazer mais do que a anterior com os mesmos recursos, mas que agora enfrenta dificuldades na condução financeira e na entrega administrativa.

Ao final, o impasse evidencia que decisões de controle externo, a exemplo da medida adotada pelo TCE, não se sustentam em narrativas políticas, mas em critérios técnicos. O Festival da Mandioca, que deveria simbolizar apenas cultura e tradição, acaba refletindo também os limites da gestão fiscal de uma cidade atualmente marcada por dificuldades administrativas e desafios na organização das contas públicas.