Relatório da Polícia Federal pede quebra de sigilo de fundo ligado a ministro do STF

20/02/2026 às 20:23:31

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), possa ter praticado o crime de corrupção passiva no âmbito das investigações sobre fraudes bilionárias ligadas ao Caso Master. Os agentes devem pedir ao STF a quebra de sigilo do fundo Maridt, que tem ligações com familiares do ministro, para aprofundar as apurações.

De acordo com o relatório da PF, o pedido de diligências inclui a análise de conversas e movimentações financeiras que podem ajudar a rastrear possíveis pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, um dos principais investigados no inquérito, ao magistrado. “A polícia baseou o relatório no artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura, que se aplica quando existe ‘indício da prática de crime por parte do magistrado’”, afirma o texto da reportagem. Até o momento, porém, Toffoli não é alvo formal da investigação, e os autos foram enviados ao STF para que o ministro Edson Fachin, presidente da Corte, avalie as próximas etapas.

O relatório entregue à Corte tem cerca de 200 páginas e inclui registros apreendidos em celulares de Vorcaro que, segundo a PF, mencionam o ministro. A expectativa dos investigadores é que a nova relatoria do caso, agora sob o comando do ministro André Mendonça, possa “destravar” diligências adicionais e facilitar a atuação da PF, incluindo a coleta de depoimentos e a análise detalhada de transações financeiras.

Em resposta às acusações, Toffoli tem negado qualquer irregularidade e reafirmado que não cometeu ilegalidades. Pela primeira vez, ele admitiu publicamente ser um dos sócios do fundo Maridt (um veículo financeiro que chegou a ter participação societária em um resort no interior do Paraná) mas seu gabinete afirmou que todas as declarações financeiras foram devidamente aprovadas e que as operações ocorreram dentro da legalidade.

A situação coloca em evidência o impacto político e jurídico das investigações sobre o Banco Master, que já motivaram outras medidas no âmbito parlamentar. A CPI do Crime Organizado no Senado deve votar requerimentos para convocar executivos da instituição e familiares de Toffoli, ampliando o debate sobre possíveis vínculos entre o setor financeiro e integrantes do poder público.

Fonte: CNN Brasil