Novo remédio contra enxaqueca é autorizado pela Anvisa no Brasil

25/05/2026 às 18:24:58
Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Nurtec ODT, indicado para o tratamento e a prevenção de crises de enxaqueca. A autorização foi publicada nesta segunda-feira (25) no Diário Oficial da União. O remédio, produzido pela farmacêutica Pfizer, chega ao mercado brasileiro como uma nova alternativa terapêutica para pacientes que sofrem com a doença, reunindo em um único medicamento a função de aliviar crises e atuar na prevenção.

O Nurtec ODT tem como princípio ativo o hemisulfato de rimegepanto sesqui-hidratado, substância pertencente à classe dos antagonistas do CGRP, proteína associada à transmissão da dor e aos processos inflamatórios relacionados à enxaqueca. A medicação age bloqueando essa proteína no cérebro, ajudando a interromper ou reduzir os sintomas das crises.

Segundo a neurologista Sara Casagrande, integrante da Sociedade Brasileira de Cefaleias e da International Headache Society, um dos principais diferenciais do medicamento é a praticidade de uso e a dupla função terapêutica. Diferente de outros bloqueadores de CGRP já disponíveis no Brasil, geralmente aplicados por meio de injeções, o Nurtec é apresentado em comprimido orodispersível, que dissolve na boca.

A especialista também destaca que o medicamento pode ser utilizado tanto no momento da crise quanto preventivamente, sempre sob orientação médica. Outro ponto apontado por Sara Casagrande é que o remédio não provoca vasoconstrição, efeito presente em alguns medicamentos tradicionais utilizados no tratamento da enxaqueca e que pode restringir o uso em pacientes com risco cardiovascular.

“Ele é específico para enxaqueca. É um analgésico desenvolvido para agir diretamente nesse mecanismo inflamatório”, explica.

As apresentações aprovadas pela Anvisa incluem cartelas com 2, 8 e 16 comprimidos de 75 mg. O registro do medicamento é válido até maio de 2036. Ainda não há definição sobre preço ou data oficial para o início da comercialização no Brasil.

Os resultados de estudos clínicos também contribuíram para a aprovação do medicamento. Uma pesquisa de fase 3 publicada na revista científica The Lancet avaliou a eficácia do rimegepanto em adultos com histórico de enxaqueca. Durante o estudo, pacientes receberam dose única de 75 mg do medicamento ou placebo durante crises moderadas ou graves.

Após duas horas da administração, 21% dos pacientes tratados com o remédio ficaram sem dor, enquanto no grupo placebo o índice foi de 11%. O levantamento também apontou melhora dos sintomas mais incômodos (como náusea e sensibilidade à luz e ao som) em 35% dos pacientes que utilizaram o medicamento, contra 27% no grupo placebo.

O rimegepanto integra a classe dos chamados “gepants”, medicamentos desenvolvidos especificamente para o tratamento da enxaqueca. Segundo Sara Casagrande, outros remédios da mesma categoria ainda aguardam aprovação no Brasil. A neurologista afirma que muitos pacientes brasileiros já importavam o medicamento antes da autorização nacional, devido à expectativa criada em torno da nova terapia.

Fonte: G1