SUS passa a oferecer novo teste para rastreamento do câncer colorretal

10/08/2026 às 18:32:34

O Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer, a partir desta segunda-feira (10), o teste imunoquímico fecal (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal. Incorporado à tabela de procedimentos da rede pública, o exame será destinado a homens e mulheres assintomáticos, com idade entre 50 e 75 anos, e deverá ser realizado a cada dois anos como estratégia para ampliar a prevenção e a detecção precoce da doença no país.

O procedimento pesquisa pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que não são visíveis a olho nu e podem indicar a presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino. O Ministério da Saúde já havia anunciado, em maio, a inclusão do FIT em um novo protocolo de rastreamento do câncer colorretal e aponta que o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.

A oferta do exame poderá ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros ao rastreamento da doença. A medida ganha importância diante da incidência do câncer colorretal no país, considerado o segundo tipo de câncer mais frequente no Brasil quando excluídos os tumores de pele não melanoma. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados cerca de 53,8 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028.

Como funciona o FIT

Diferentemente de métodos mais antigos de pesquisa de sangue oculto nas fezes, o FIT utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano presente na amostra. A técnica aumenta a precisão do teste e permite identificar alterações que podem indicar a necessidade de uma investigação mais aprofundada.

Para realizar o exame, o paciente recebe um kit e faz a coleta das fezes em casa. Posteriormente, a amostra é encaminhada para análise laboratorial. Caso seja identificada a presença de sangue oculto, o paciente deverá ser direcionado para exames complementares capazes de investigar a origem da alteração.

Entre as vantagens apontadas pelo Ministério da Saúde estão a simplicidade e o caráter menos invasivo do procedimento. O FIT não exige preparo intestinal nem dieta restritiva antes da coleta e pode ser realizado com apenas uma amostra, características que podem facilitar a adesão da população ao rastreamento.

A incorporação ao SUS, entretanto, tem uma finalidade específica. O teste será utilizado exclusivamente no rastreamento bienal de pessoas entre 50 e 75 anos que não apresentem sintomas. O procedimento não é indicado para investigação diagnóstica de pacientes sintomáticos ou que já tenham suspeita clínica de câncer colorretal.

Colonoscopia continua fundamental

Mesmo com a inclusão do FIT, a colonoscopia permanece como principal método para avaliação direta do intestino. O procedimento permite visualizar o cólon e o reto e, quando necessário, retirar pólipos durante o próprio exame, impedindo que algumas dessas lesões possam evoluir para câncer.

A estratégia de rastreamento com o novo teste busca justamente identificar pessoas assintomáticas que apresentem sinais que justifiquem uma investigação complementar. Com a incorporação do FIT à rede pública, o SUS amplia as ferramentas disponíveis para detectar precocemente alterações relacionadas ao câncer colorretal e facilitar o encaminhamento dos pacientes que necessitem de avaliação adicional.

Fonte: CNN