Justiça barra obra de novo campus da UFS em terreno doado pelo prefeito André Graça

A instalação do novo campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS) em Estância foi travada pela Justiça Federal. O juiz Rafael Soares Souza mandou suspender as obras no terreno que foi doado pelo atual prefeito da cidade, André Graça, e por Everton Damascena Santos. A decisão aponta que a universidade pode ter ignorado as regras da própria disputa para beneficiar o político.
Entenda a confusão
Para conseguir um terreno para o novo campus, a UFS fez um chamamento público (uma espécie de concurso de doações). Segundo o processo:
- Uma empresa chamada CIESA ficou em 1º lugar, com a melhor pontuação.
- O terreno de André Graça ficou em 2º lugar.
Mesmo assim, a UFS decidiu seguir com o terreno do prefeito.
Para o juiz, essa escolha não faz sentido. Ele explicou que, se houve um concurso e alguém venceu, essa pessoa (ou empresa) tem o direito de ser a escolhida. Ao pular o primeiro colocado para ficar com o terreno de André Graça, a universidade teria ferido a lei e a ética pública.
Suspeita de "ajuda política"
O magistrado foi duro na decisão e mencionou que pode ter ocorrido "favoritismo político". Ele também alertou que, ao construir um campus da UFS ali, outros terrenos vizinhos que pertencem ao prefeito poderiam valorizar muito, gerando um ganho indevido.
O que acontece agora?
A situação ficou complicada para os envolvidos:
Polícia no caso: O juiz pediu que a polícia abra um inquérito para investigar se houve crime contra a administração pública.
Multa: Se a UFS continuar mexendo no terreno de André Graça, terá que pagar R$ 500 por dia.
E o campus? A UFS não está proibida de ter um campus em Estância, mas agora terá que escolher: ou volta atrás e aceita o terreno da empresa que venceu, ou cancela tudo e começa do zero de um jeito transparente.
A decisão ainda será revisada por um tribunal superior, mas, por enquanto, nada pode ser feito na área doada pelo prefeito.
Processo: 0006350-56.2025.4.05.8502











