Investigado por golpe milionário é localizado no Uruguai após ação conjunta da Polícia Civil e Interpol

28/05/2026 às 19:31:38
Foto: SSP/SE

A Polícia Civil de Sergipe localizou nesta quarta-feira (27) um homem investigado por aplicar golpes financeiros que teriam causado prejuízo superior a R$ 3,5 milhões a cerca de 20 vítimas. O suspeito, que atuava como assessor de investimentos em uma empresa renomada de Aracaju, foi encontrado na cidade de Rio Branco, no Uruguai, após uma ação conjunta envolvendo a Polícia Civil de Sergipe, a Polícia Federal e a Interpol. Segundo as investigações, ele convencia clientes a realizarem supostos investimentos com promessa de rendimentos mensais de até 2%.

As investigações tiveram início em 2024, quando a Delegacia de Defraudações instaurou um inquérito para apurar denúncias feitas por investidores. De acordo com a delegada Suirá Paim, as vítimas relataram que eram orientadas a transferir os valores diretamente para a conta pessoal do investigado. “As vítimas realizaram investimentos financeiros no qual o suspeito prometia rendimentos de até 2% ao mês. Com o avanço das investigações, ficou constatado que elas foram convencidas a aplicar os valores na conta pessoal do suspeito”, explicou.

Ainda conforme a delegada, o investigado utilizava a experiência no mercado financeiro e o relacionamento construído ao longo da carreira para conquistar a confiança dos clientes. “O fato dele já ter passado por diversas instituições financeiras, ter uma vasta carteira de clientes e um escritório aqui na cidade serviu para atrair a confiança das vítimas”, afirmou Suirá Paim.

Segundo a Polícia Civil, os clientes acreditavam estar investindo em ações e em um suposto fundo coletivo administrado pelo suspeito. O esquema começou a ser questionado quando os rendimentos prometidos deixaram de ser pagos e os investidores passaram a enfrentar dificuldades para resgatar os valores aplicados.

Durante o andamento das investigações, o suspeito foi intimado para prestar esclarecimentos, mas não compareceu à delegacia. Além disso, equipes policiais não conseguiram localizá-lo nos endereços cadastrados em Aracaju. “Foram realizadas diversas buscas e diligências sem sucesso”, destacou a delegada Suirá Paim.

Com o avanço do inquérito, a Polícia Civil descobriu que o investigado havia deixado o Brasil. Segundo o delegado Jorge André Santos Figueiredo, a partir dessa informação foi acionado o Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal em Sergipe para inclusão do nome do suspeito na difusão vermelha da Interpol.

“Ele passou a ser procurado em 196 países membros e, após outras informações, foi localizado na cidade de Rio Branco, no Uruguai, vizinho da cidade de Jaguarão, no Rio Grande do Sul”, detalhou o delegado.

Após a localização do investigado, as autoridades brasileiras iniciaram os procedimentos judiciais necessários para solicitar a extradição do suspeito ao Brasil. Conforme Jorge André Santos Figueiredo, o processo depende de autorização da Justiça brasileira e também da Justiça uruguaia. “Toda a tramitação dessa extradição é feita através de um pedido judicial feito pela Justiça Brasileira e deferido também pela Justiça do Uruguai”, explicou.

A delegada Lauana Guedes informou que o suspeito aproveitava a relação de proximidade com os clientes para captar os recursos financeiros de forma gradual. “Clientes tinham uma certa confiança no investigado e, por isso, chegaram a aportar esses valores de modo paulatino”, afirmou.

As investigações apontam ainda que os pagamentos eram feitos por meio de transferências via PIX para a conta pessoal do investigado, além de entregas em dinheiro em espécie. Segundo a delegada, inicialmente o suspeito prometia rendimentos de 1,5% ao mês, mas os pagamentos passaram a ser adiados sucessivamente. “Ele vinha com variadas desculpas, então as vítimas registraram diversos boletins de ocorrência”, disse Lauana Guedes.

A Polícia Civil também esclareceu que a empresa onde o investigado trabalhava não tinha conhecimento das negociações paralelas realizadas por ele. De acordo com as investigações, a instituição financeira foi surpreendida com as denúncias e desligou o profissional após tomar ciência dos fatos. “A empresa ficou surpresa quando tomou conhecimento desses fatos e ele foi demitido também. A empresa foi uma vítima indireta e os clientes que aportaram esses recursos foram vítimas diretas”, concluiu a delegada.

Fonte: Infonet