Depois da bomba judicial, veio o milagre da convocação imediata: gestão André Graça age por convicção ou por pressão?

Em Estância, terra onde o barulho da pólvora faz parte da cultura, a semana começou com uma bomba junina daquelas. A Justiça determinou que a Prefeitura apresentasse um cronograma de convocação dos aprovados no concurso de 2021 e suspendesse novas contratações temporárias para cargos já contemplados pelo certame. Mal a fumaça da decisão começou a subir, surgiu a notícia da posse de 32 novos servidores.
A divulgação oficial da Secom tratou o ato como mais uma demonstração do compromisso da gestão com o concurso público. O detalhe é que os cargos destacados pela Justiça — entre eles, ADI, professor e fiscal de Obras e Posturas — aparecem justamente entre os beneficiados pelas novas nomeações. Coincidência ou não, a sequência dos fatos chama a atenção até dos menos observadores.
A decisão judicial não se limitou a determinar a convocação dos concursados. Ela também estabeleceu que o município apresente um plano para substituir ocupantes temporários de funções abrangidas pelo concurso. Em outras palavras, a discussão não é apenas sobre quem entra, mas também sobre quem deixa de ocupar vagas que deveriam estar sendo preenchidas pelos aprovados.
A Prefeitura tem todo o direito de comemorar as posses. Os concursados, mais ainda. Afinal, aguardaram anos por esse momento. O que não dá para ignorar é que a festa das nomeações acontece justamente quando a administração se vê diante de uma cobrança formal do Ministério Público e de uma determinação da Justiça.
No fim das contas, a pergunta continua no ar, mais barulhenta que muito buscapé em noite de São João: as posses aconteceriam agora da mesma forma se não houvesse a pressão dos órgãos de controle? Essa resposta talvez esteja escondida entre os fogos da propaganda oficial e os autos do processo judicial.
Segue abaixo a comprovação da decisão judicial:














