Defesa de Jaques Wagner pede adiamento de depoimento à PF no caso Master

07/08/2026 às 19:36:53
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu à Polícia Federal o adiamento do depoimento previsto para esta sexta-feira (7), em Brasília, no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. Segundo o advogado Pablo Domingues, responsável pela defesa do parlamentar, a solicitação foi apresentada porque os advogados ainda não tiveram acesso ao conteúdo da investigação e, por isso, alegam não dispor dos elementos necessários para a realização da oitiva. Wagner havia sido intimado pela PF em 21 de julho para prestar esclarecimentos sobre suspeitas de recebimento de vantagens indevidas. 

O senador já havia sido alvo, em junho, de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante uma fase da Operação Compliance Zero. Também foram impostas medidas cautelares, entre elas restrições de contato e de atuação econômica conjunta com outros investigados. A apuração busca esclarecer possíveis vínculos entre Wagner, pessoas de seu entorno e nomes ligados ao Banco Master. 

Entre as relações analisadas pelos investigadores está a proximidade entre Jaques Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. De acordo com elementos da investigação citados na decisão que autorizou as buscas, a PF apura se a relação entre os dois ultrapassava o âmbito pessoal. Ao autorizar a operação, André Mendonça considerou haver indícios de que Wagner seria um interlocutor relevante de Lima em assuntos relacionados ao grupo econômico investigado. 

Um dos pontos sob investigação envolve um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, em Salvador. A PF suspeita que o imóvel possa ter representado uma vantagem indevida concedida ao senador. Wagner, entretanto, nega ter recebido o apartamento como contrapartida por qualquer atuação política e afirma que Augusto Lima teria adquirido o imóvel como investidor para que posteriormente fosse recomprado pela família do parlamentar. 

Entre os elementos mencionados na apuração está uma mensagem enviada por Wagner a Augusto Lima com informações sobre o imóvel pretendido. “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi.”, diz o trecho apresentado no material da investigação. A relação entre os dois é um dos pontos examinados pela PF para determinar se houve ou não concessão de vantagens indevidas ao senador.

A defesa de Jaques Wagner contesta as suspeitas e já recorreu ao STF contra as medidas adotadas. Os advogados sustentam que o parlamentar nunca atuou no Congresso Nacional para beneficiar o Banco Master e pediram a anulação das provas obtidas durante as buscas. O recurso está sob análise de André Mendonça, relator do caso no Supremo.

Fonte: CNN