A máscara começa a cair, Valmir: de aparente “vítima” à figura implacável com membros da imprensa e adversários políticos.

13/08/2026 às 22:03:44
Imagem produzida através de inteligência artificial
Resumo: Valmir e o seu partido, que na pré-campanha deste ano já colecionam mais de uma centena de ações e representações contra integrantes da imprensa e adversários políticos, é um político atualmente apontado por acionar o Judiciário até por questões banais, numa aparente tentativa de inibir opiniões e críticas à sua trajetória marcada por questionamentos judiciais e administrativos. A imagem do antigo marchante já não corresponde ao Valmir atual, com postura implacável com os divergentes, mesmo sem ter chegado ao comando máximo de Sergipe.

O discurso de vítima começa a perder força. O candidato ao Governo de Sergipe pelo Republicanos, Valmir de Francisquinho, insiste em terceirizar responsabilidades e atribuir a adversários políticos consequências de processos judiciais relacionados a fatos ocorridos durante uma antiga gestão sua à frente da Prefeitura de Itabaiana.

Trata-se de questões que remontam a vários anos e que são anteriores até mesmo à sua decisão de disputar o Governo de Sergipe. Ainda assim, Valmir tenta construir a narrativa de que estaria sendo alvo de uma perseguição política articulada para retirá-lo da disputa.

O que se observa, porém, nos bastidores da política de Itabaiana é uma realidade bem mais complexa.

O mesmo Valmir que hoje reclama de suposta perseguição já recorreu à Justiça para questionar candidaturas de adversários. Entre os casos citados estão a candidatura do empresário Edson Passos à Prefeitura de Itabaiana e as candidaturas dos vereadores Alex Henrique e Cabeça de Porco, em 2024.

Também há o relato recente de uma cidadã que afirma ter sido demitida da prefeitura da cidade serrana depois de escolher apoiar um candidato a deputado estadual que, segundo ela, mesmo sendo do mesmo partido de Valmir, não contaria com a sua simpatia. É uma acusação que deve ser tratada como tal, mas que se soma a outros episódios que alimentam questionamentos sobre a postura política adotada pelo ex-prefeito.

E há ainda outro ponto que merece atenção: a relação com a imprensa. Mesmo antes do início oficial da campanha, Valmir já acumula mais de uma centena de ações judiciais e representações envolvendo integrantes da imprensa sergipana, segundo informações que circulam no meio político e jornalístico. Quando contrariado ou criticado, a reação frequentemente passa pelo caminho judicial.

É legítimo que qualquer cidadão, político ou candidato recorra à Justiça quando entender que seus direitos foram violados. O problema surge quando o instrumento judicial passa a ser percebido como um aparente mecanismo recorrente para intimidar críticos, adversários ou profissionais da comunicação. Nesse cenário, o debate deixa de ser apenas jurídico e passa a envolver uma questão essencial para a democracia: a liberdade de imprensa e o direito da sociedade de ser informada e de questionar seus representantes.

Talvez seja justamente aí que a máscara comece a cair.

Valmir tenta preservar a imagem de um personagem construído ao longo de sua trajetória política: o homem simples, humilde, de origem popular, o antigo marchante que chegou à política representando uma parcela da população de Itabaiana.

Mas a política também é feita de atitudes. E a imagem pública de um homem precisa corresponder à maneira como ele age quando é contrariado.

O Valmir de hoje já não parece caber integralmente na personagem que tenta apresentar. O discurso de humildade convive com uma postura política cada vez mais combativa, com enfrentamentos judiciais, disputas com adversários e conflitos recorrentes com setores da imprensa.