Trabalho análogo à escravidão se concentra nas cidades e atinge mais de 2,7 mil pessoas em 2025

29/01/2026 às 19:06:57

O trabalho análogo à escravidão segue sendo uma realidade no Brasil e, em 2025, passou a se manifestar com mais força nos centros urbanos. Levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego aponta que mais de 2,7 mil pessoas foram resgatadas ao longo do ano em condições degradantes, sendo que cerca de 68% dos casos ocorreram em áreas urbanas. É a primeira vez que esse tipo de violação se concentra majoritariamente fora do meio rural.

Entre os setores com maior número de trabalhadores resgatados está a construção civil, que lidera o ranking das fiscalizações. Obras de alvenaria somaram 601 resgates, enquanto atividades em prédios e edifícios contabilizaram outros 186 casos. Também chamam atenção os números registrados na administração pública, com 304 trabalhadores encontrados em situação irregular, além do cultivo de café, que reuniu 184 resgates, e da extração e beneficiamento de pedras e materiais usados na construção civil, com 126 ocorrências.

O perfil das vítimas revela padrões que se repetem ao longo dos anos. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a maior parte dos trabalhadores resgatados tem entre 30 e 39 anos, é formada por homens e possui baixa escolaridade. Entre eles, 83% se identificam como negros, considerando pessoas pretas e pardas. Para a diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho, Dercylete Loureiro, esses dados refletem desigualdades históricas que mantêm determinados grupos sociais mais expostos a relações de trabalho abusivas e ilegais.

Do ponto de vista territorial, os estados com maior número de resgates em 2025 foram Mato Grosso, com 607 trabalhadores libertados, Bahia, com 482, Minas Gerais, com 393, e São Paulo, com 276 casos registrados. A distribuição mostra que o problema atravessa diferentes regiões e setores econômicos do país.

Após as operações de fiscalização, os trabalhadores resgatados passaram a ter acesso ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, benefício pago em três parcelas equivalentes a um salário mínimo. Além disso, eles foram encaminhados a políticas públicas de assistência social. Segundo o MTE, mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias foram assegurados às vítimas ao longo do ano.

Em 2025, os auditores-fiscais do trabalho realizaram 1.594 ações voltadas especificamente ao combate ao trabalho em condições análogas à escravidão. Além dos resgates, as fiscalizações permitiram a regularização de direitos trabalhistas de mais de 48 mil trabalhadores, ampliando o alcance das ações de enfrentamento a esse tipo de violação.

O Ministério do Trabalho e Emprego reforça que denúncias podem ser feitas de forma anônima por qualquer pessoa, por meio da internet, pelo telefone 158 ou pelo Disque 100, instrumentos considerados essenciais para identificar situações de exploração que muitas vezes permanecem invisíveis.