Sergipe registra 440 atendimentos aeromédicos em três anos e amplia estrutura do Samu

27/10/2026 às 17:21:41
Foto: Ascom/SES

O serviço aeromédico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 Sergipe), vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (SES), contabiliza 440 atendimentos em três anos de atuação e passou a contar, desde junho de 2026, com a aeronave H-130T2 destinada especificamente às operações de saúde. A estrutura é utilizada no transporte de pacientes em estado grave, principalmente em ocorrências nas quais o tempo de deslocamento até uma unidade de referência pode influenciar o tratamento, como infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e traumas de alta complexidade.

A incorporação da aeronave amplia os recursos disponíveis para o atendimento pré-hospitalar no estado, especialmente em municípios do interior e em localidades distantes de hospitais especializados. O helicóptero permite transportar pacientes selecionados pela regulação médica e também auxilia no deslocamento de órgãos e tecidos destinados a transplantes. A nova estrutura conta com equipamentos para assistência durante o voo e recursos voltados ao transporte de recém-nascidos que necessitam de cuidados especializados.

O secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, destacou a importância do transporte aéreo para a rede pública de urgência e emergência. “O serviço Aeromédico é fundamental para o atendimento de pacientes em estado grave, pois contribui para reduzir o tempo de deslocamento e ampliar as possibilidades de acesso oportuno ao tratamento. Esse investimento reforça o compromisso do Governo do Estado com a qualificação da assistência e a ampliação do acesso aos serviços de saúde”, ressaltou.

Regulação médica define o acionamento

O acionamento do serviço é coordenado pela Central de Regulação de Urgências (CRU), vinculada ao Complexo Regulatório de Saúde do Estado, por meio do número 192. O médico regulador analisa as informações clínicas e determina se o transporte aéreo é indicado para cada ocorrência. Paralelamente, o comandante avalia as condições meteorológicas e os requisitos de segurança necessários à realização do voo.

Após a autorização, a central organiza a logística terrestre para viabilizar o embarque e o desembarque do paciente. Segundo a coordenadora do Complexo Regulatório de Saúde do Estado, Arianne Costa, a integração entre os profissionais permite adequar o atendimento às necessidades de cada caso. “Após a autorização do voo, a central organiza a logística terrestre para garantir o embarque e o desembarque seguros do paciente”, explicou.

A indicação do transporte considera a gravidade do quadro clínico, a distância até o hospital de referência e as condições de acesso ao local da ocorrência. Entre as situações que podem exigir o recurso estão infartos, AVCs, traumas complexos, queimaduras, afogamentos e casos pediátricos ou neonatais graves. Arianne também ressalta que cada missão depende de avaliação médica e operacional. “Entre as situações que podem demandar o serviço estão os casos graves de infarto e AVC, traumas de maior complexidade, queimaduras e afogamentos, além de ocorrências envolvendo recém-nascidos e crianças em estado crítico que necessitem de suporte especializado. Cada missão é avaliada pela regulação médica, considerando as condições clínicas do paciente e os aspectos operacionais necessários à realização do voo”, detalhou Arianne.

O transporte também segue limites técnicos e protocolos de segurança. As condições físicas dos pacientes, a capacidade da aeronave e a necessidade de equipamentos específicos são avaliadas antes de cada operação. Em situações que exigem cuidados adicionais, como determinados quadros infecciosos ou condições clínicas que possam comprometer a segurança do voo, a equipe responsável analisa as medidas necessárias e a viabilidade do deslocamento. O espaço da cabine é destinado ao paciente e à equipe assistencial, sem assentos reservados para acompanhantes.

Aeronave amplia recursos de assistência durante o voo

A H-130T2 possui cabine mais ampla, que permite posicionar a maca transversalmente e facilita o acesso ao paciente pelos dois lados. Essa configuração favorece o trabalho simultâneo do médico e do enfermeiro, possibilitando procedimentos, administração de medicamentos, manejo de acessos venosos e monitoramento contínuo durante o transporte. A estrutura também comporta equipamentos homologados para uso aeromédico, como monitor desfibrilador, respirador automático, oxímetro, bombas de infusão e suporte para compressor torácico automático.

Outro recurso é a cápsula de transporte neonatal com controle térmico, semelhante a uma incubadora, destinada a recém-nascidos que precisam de assistência especializada durante o deslocamento. O equipamento permite organizar transferências para unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais, inclusive na capital, conforme a indicação clínica. A superintendente do Samu 192 Sergipe, Cintia Guerra, destacou as possibilidades oferecidas pela nova estrutura. “Essa segunda aeronave tem capacidade de operação bem superior à primeira no quesito perfil dos agravos clínicos e traumáticos. Agora também temos condições de monitorar o paciente continuamente pelos olhos atentos dos dois operadores de suporte médico, um de cada lado do enfermo. A melhoria da condição da assistência em tempo real foi fantástica, permitindo intervenções durante o voo e até compressões torácicas automáticas em caso de parada cardiorrespiratória. Além disso, o helicóptero tem a capacidade de chegar onde o avião não pousa e a ambulância não chega”, destacou.

A operação é viabilizada por um termo de cooperação entre a Secretaria de Estado da Saúde e a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), por meio do Grupamento Tático Aéreo (GTA), responsável por disponibilizar pilotos e copilotos. A parceria permite organizar as missões e contribuir para a continuidade do serviço durante períodos de manutenção preventiva das aeronaves. Para Cintia Guerra, a cooperação representa um avanço na assistência de urgência. “O termo de cooperação entre a Saúde e a Segurança Pública foi um marco na história sergipana, um avanço imensurável no cuidado e na redução de óbitos e incapacidades, pois muitos pacientes não teriam a chance de chegar a tempo ao hospital por via terrestre. Não são apenas 440 pacientes atendidos, são 440 famílias que viram seus entes queridos serem bem assistidos no estado”, concluiu a superintendente.

Paciente relata transferência após infarto

Entre os casos citados está o de Edmilson Nascimento, de 71 anos, morador de Nossa Senhora do Socorro, que sofreu um infarto enquanto visitava o pai em Simão Dias. Após receber os primeiros atendimentos no Hospital Pedro Valadares, ele foi transferido de helicóptero para Aracaju, onde passou por um procedimento de cateterismo no serviço de Hemodinâmica do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse).

O paciente relatou que a rapidez do transporte foi importante durante o atendimento. “Eu estava muito mal lá em Simão Dias e precisava de atendimento rápido. A chegada do helicóptero foi muito importante, porque, se eu tivesse vindo de carro, não sei se teria conseguido chegar a tempo. Fui muito bem atendido e só tenho a agradecer”, relatou o paciente. O caso ilustra a utilização do serviço em situações nas quais o deslocamento para uma unidade especializada integra a assistência de emergência.

Fonte: Governo de Sergipe