"Quando a justiça é rigorosa, o agressor tende a recuar”, diz Danielle Garcia ao alertar para avanço do feminicídio em Sergipe

06/02/2026 às 16:42:17

O cenário da violência de gênero em Sergipe preocupa autoridades e especialistas. Em entrevista ao Jornal da Fan, a delegada Danielle Garcia (MDB) fez um alerta contundente sobre os indicadores de feminicídio no estado e defendeu a necessidade de respostas imediatas e mais rigorosas na aplicação da lei. 

Segundo dados apresentados durante a entrevista, Sergipe já registra neste início de ano um caso de feminicídio consumado e 11 tentativas, números que, na avaliação da delegada, apontam para a urgência de ações integradas entre órgãos de segurança pública, sistema de Justiça e sociedade civil. 

“Quando a resposta do sistema de Justiça é firme, o agressor tende a recuar. A efetividade da lei depende da sua aplicação rigorosa”, afirmou Danielle Garcia ao abordar a importância de mecanismos legais que não só punam, mas também previnam a violência de gênero. 

Cenário local: avanços e desafios

Dados oficiais apontam que, apesar de esforços recentes, Sergipe ainda enfrenta desafios no enfrentamento à violência contra a mulher. Levantamentos anteriores do Mapa da Segurança Pública indicaram que o estado havia registrado uma redução nos casos de feminicídio entre 2023 e 2024, com os números caindo de 16 para 10 ocorrências, uma redução de cerca de 37%, e a segunda menor taxa do país.

Especialistas afirmam que esses resultados refletem uma combinação entre maior conscientização, políticas públicas mais robustas e ampliação de serviços de proteção. Contudo, ressaltam, a persistência de casos evidencia que a queda percentual ainda não representa uma situação confortável para as mulheres sergipanas.

Integração de políticas públicas

O enfrentamento ao feminicídio, na visão de Danielle Garcia, exige integração entre diversas frentes de atuação: desde a capacitação das forças de segurança e profissionais da rede de proteção, até campanhas de educação comunitária e incentivo à denúncia de casos de violência doméstica, etapa frequentemente negligenciada por vítimas e familiares.

Organizações sociais reforçam que, em muitos casos, a violência física é precedida por episódios de abuso psicológico e estrutural, uma cadeia de fatores que só é possível interromper com ações contínuas de prevenção e suporte.

Rigor da lei e cultura de enfrentamento

Para a delegada, o rigor na aplicação das leis que punem crimes de gênero é fundamental não apenas para responsabilizar agressores, mas também para enviar uma mensagem clara de que a sociedade não tolera a violência contra a mulher.

“É imprescindível que cada órgão, do poder judiciário à polícia civil, entenda que a proteção à vida das mulheres deve ser tratada como prioridade permanente, não apenas em datas comemorativas ou em campanhas pontuais”, concluiu Garcia.