Prefeito André Graça foge da campanha de Lula e vira as costas para os líderes que tanto o ajudaram

A caminhada em apoio à reeleição do presidente Lula, realizada na tarde deste sábado (24), em Estância, reuniu lideranças políticas locais e estaduais. Mas uma ausência chamou a atenção: a do prefeito André Graça (PSD), que também não participou de nenhum ato de campanha durante o segundo turno, segundo relatos locais. Justamente ele, aliado do governador Fábio Mitidieri, que entrou de corpo e alma na campanha de Lula e considera a reeleição do presidente estratégica para a continuidade dos investimentos e recursos federais destinados a Sergipe.
O episódio chama ainda mais atenção pela relação política e administrativa do prefeito com o PT. Além de integrar o grupo de Fábio, André mantém uma relação próxima com o senador Rogério Carvalho (PT), cujo mandato tem destinado recursos federais ao município. A situação levanta uma pergunta: por que essa aproximação, tão visível quando o assunto é conseguir investimentos para a gestão, não se traduziu em participação na campanha presidencial?
A contradição também aparece na política municipal. André conta com o apoio do vereador Arthur, do PT, e, segundo comentários de bastidores, pretende ampliar suas alianças com o restante do agrupamento petista local, de olho na reeleição em 2028. Ao mesmo tempo, setores políticos locais apontam uma possível identificação do prefeito com o bolsonarismo e atribuem sua ausência na campanha a uma suposta preferência pelo campo da direita. Integrante de uma das famílias tradicionais de proprietários rurais da Cidade Jardim, André é descrito por esses observadores como um político de perfil conservador e simpatizante das ideias de Jair Bolsonaro, interpretação que não equivale a uma declaração pública de apoio ao ex-presidente.
No fim das contas, fica uma pergunta que André Graça precisa esclarecer: qual é, afinal, sua posição política? Manter alianças estratégicas com Fábio Mitidieri e Rogério Carvalho, que trazem benefícios à sua administração, não o obriga a apoiar Lula. Mas a ausência na campanha abre espaço para críticas sobre uma possível incoerência ou conveniência política. Para alguns observadores locais, fica a impressão de que o prefeito gosta de se aproximar da estrela vermelha quando precisa de recursos e apoio eleitoral, mas prefere manter distância quando chega a hora de demonstrar reciprocidade.












