Polícia identifica grupo suspeito de aplicar golpes com anúncios e e causar prejuízo de R$ 136 mil em Aracaju

08/09/2026 às 18:40:26

Uma investigação conduzida pelo Departamento de Crimes contra o Patrimônio (Depatri) identificou a atuação de uma associação criminosa especializada em golpes praticados pela internet, incluindo o chamado golpe do falso intermediador, uso de perfis fraudulentos, documentos falsificados e anúncios falsos. Um dos casos investigados resultou em um prejuízo de aproximadamente R$ 136 mil, após uma negociação envolvendo a compra de uma carta de consórcio e um veículo em uma loja de Aracaju.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a delegada Lauana Guedes, responsável pela investigação, informou que tanto o comprador quanto o proprietário da loja de veículos foram vítimas da fraude. Segundo a apuração, as duas partes acreditavam estar realizando uma negociação legítima e, inicialmente, não tinham motivos para desconfiar da transação.

Os criminosos teriam utilizado a internet para criar uma situação aparentemente legítima, com anúncios falsos, perfis fraudulentos e contatos de pessoas que se passavam por vendedores, funcionários de administradoras de consórcio e intermediadores da negociação. A fraude foi descoberta quando o comprador se dirigiu à loja para concluir a negociação e constatou que o dinheiro não havia sido depositado na conta do estabelecimento.

“Foi criada uma verdadeira encenação. Os criminosos utilizaram dados de terceiros, falsificaram informações e se passaram por pessoas envolvidas na negociação. O comprador só percebeu que havia sido vítima quando chegou à loja e verificou que o valor não tinha entrado na conta do lojista”, detalha Lauana Guedes.

As diligências apontam que diferentes integrantes podem exercer funções específicas dentro do esquema, como a criação de anúncios falsos, o contato com as vítimas por telefone e WhatsApp, a falsificação de documentos e o fornecimento de contas bancárias para recebimento dos valores. A Polícia Civil ainda apura a extensão da divisão de tarefas e a eventual caracterização de organização criminosa.

Um dos casos investigados teve início em setembro de 2024, após uma vítima procurar a unidade policial especializada em crimes de fraude e relatar a aquisição de uma carta de consórcio no valor de R$ 135 mil. O crédito seria utilizado para a compra de um veículo em uma loja localizada em Aracaju.

Segundo o relato, a vítima negociou a aquisição da carta com um homem que afirmava possuir o crédito quitado e pretendia vendê-lo para quitar uma dívida relacionada à compra de um imóvel. Durante as tratativas, porém, os criminosos utilizaram contatos falsos atribuídos à administradora do consórcio e ao suposto proprietário da carta, além de documentos falsificados que levaram o estabelecimento a emitir a documentação referente ao veículo. Na sequência, a vítima realizou transferências bancárias para contas indicadas pelos golpistas.

“Esse caso reúne várias modalidades de fraude. Temos o falso intermediador, o anúncio de veículo que foi copiado e utilizado na internet, pessoas que se passaram pelo vendedor e também alguém que se apresentou como funcionário da administradora da carta de crédito. Além disso, foram utilizadas contas bancárias de terceiros para receber os valores”, explica a delegada.

A investigação identificou diferentes envolvidos e apontou que o grupo possui ligação com criminosos de São Paulo, que já teriam atuado anteriormente em outros golpes no estado de Sergipe. A Justiça decretou a prisão de três investigados, sendo uma cumprida no município de Tatuí, em São Paulo, com apoio da Polícia Civil paulista. Os outros dois permanecem foragidos, enquanto as diligências do Depatri continuam para identificar possíveis integrantes do grupo, esclarecer a divisão de tarefas e verificar a existência de outras vítimas relacionadas ao esquema.

Fonte: SSP/SE