Planalto vê revogação de visto de embaixadora como interferência nas eleições de 2026

06/08/2026 às 18:40:34
Foto: ZUMA Press Wire via Reuters Conn

O Palácio do Planalto avalia que a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, representa uma nova tentativa de interferência norte-americana nas eleições brasileiras de 2026. Nos bastidores, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que, diante da medida anunciada pelo Departamento de Estado dos EUA, o governo brasileiro não pretende conceder o agrément (autorização diplomática para atuação de um embaixador estrangeiro) ao deputado da Flórida Daniel Perez, indicado por Washington para chefiar a embaixada norte-americana no Brasil, antes do pleito eleitoral.

A decisão do governo dos Estados Unidos foi anunciada na última segunda-feira (3). Na ocasião, o Departamento de Estado justificou a revogação do visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti alegando que o Brasil ainda não havia concedido o agrément ao indicado norte-americano. No entanto, interlocutores do governo brasileiro contestam essa justificativa e afirmam que a condução do processo segue critérios diplomáticos e políticos.

Segundo auxiliares de Lula, nenhum pedido de agrément deverá ser aprovado até a realização das eleições de 2026. Embora a análise técnica do Itamaraty pudesse validar o nome de Daniel Perez, integrantes do governo afirmam que o episódio envolvendo a embaixadora reforçou o componente político da decisão, que depende da aprovação do presidente da República.

Outro ponto de insatisfação do governo brasileiro é a forma como ocorreu a indicação de Daniel Perez. De acordo com interlocutores do Planalto, os Estados Unidos não realizaram a consulta prévia ao Itamaraty, procedimento considerado uma prática tradicional nas relações diplomáticas entre os países. Além disso, integrantes do governo questionam a rapidez da indicação às vésperas das eleições, após um longo período em que o presidente Donald Trump optou por não nomear um embaixador para o Brasil.

Apesar da crise diplomática, o governo federal trabalha com cautela. Nos bastidores, existe a avaliação de que novas sanções norte-americanas contra autoridades brasileiras não estão descartadas. Embora medidas nas áreas comercial e financeira, como novas tarifas ou a aplicação da Lei Magnitsky, sejam consideradas menos prováveis neste momento, auxiliares de Lula estudam possíveis respostas baseadas no princípio da reciprocidade diplomática.

Mesmo diante da revogação do visto, o Planalto decidiu manter Maria Luiza Ribeiro Viotti em Washington. A interpretação do governo é que a medida adotada pelo Departamento de Estado possui caráter principalmente simbólico, uma vez que a diplomata poderá continuar exercendo suas funções enquanto permanecer nos Estados Unidos.

Segundo interlocutores do presidente, a restrição imposta impediria apenas novas entradas da embaixadora em território norte-americano caso ela deixe o país. Ainda assim, o governo brasileiro considera a decisão grave e acompanha os desdobramentos da crise diplomática.

Neste momento, a orientação do Palácio do Planalto é aguardar novas movimentações por parte dos Estados Unidos antes de adotar medidas adicionais. A permanência da embaixadora no posto está mantida, mas integrantes do governo admitem que essa posição poderá ser reavaliada caso ocorram novos constrangimentos a representantes brasileiros.

A crise ocorre em um momento de aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, envolvendo divergências sobre procedimentos diplomáticos e o ambiente político relacionado às eleições brasileiras de 2026.

O governo brasileiro sustenta que continuará acompanhando a situação por meio dos canais diplomáticos e reforça que eventuais decisões futuras levarão em consideração tanto a preservação das relações entre os dois países quanto o respeito à soberania nacional.

Fonte: CNN