Isolamento interno de Rodrigo e Ricardo pode empurrar a oposição sergipana para uma terceira via bolsonarista

25/01/2026 às 11:31:49

A política sergipana começa a dar sinais claros de que o discurso de unidade da oposição parece não resistir mais à realidade dos fatos. O que antes era tratado como ruído de bastidor hoje se transforma em fissura visível. No centro desse desgaste estão dois nomes estratégicos, mas progressivamente empurrados para a periferia das decisões: o vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques (Cidadania), e o deputado federal Rodrigo Valadares (PL), pré-candidato ao Senado. Quando lideranças com densidade eleitoral passam a ser ignoradas, o movimento seguinte costuma ser previsível.

Ricardo Marques verbalizou o incômodo em entrevista à Rádio Comércio. Disse, de forma direta, que ninguém permanece em um espaço onde não é acolhido. Relatou ter feito gestos claros de pertencimento ao grupo da prefeita Emília Corrêa, mas afirmou que, apesar disso, segue sendo escanteado. Admitiu que o silêncio mantido ao longo de 2025 foi uma escolha consciente, motivada pelo respeito à liturgia do cargo e ao projeto político do qual faz parte. No entanto, deixou um recado sem margem para dúvida: 2026 não é mais ano de silêncio nem de esperar boa vontade. Segundo ele, ninguém suporta apanhar politicamente a vida inteira, e chegou a hora de se posicionar, fazer escolhas e decidir caminhos.

Rodrigo Valadares, por sua vez, adota um discurso ainda mais duro e ideológico. Desde que assumiu a presidência estadual do PL, tem defendido que o partido passou por uma verdadeira depuração em Sergipe. Afirma que hoje o eleitor sabe exatamente em quem está votando ao escolher o 22, sem disfarces ou ambiguidades. Valadares deixou claro que não haverá mais espaço para quem tenta se apresentar como bolsonarista apenas em período eleitoral, nem para figuras que, segundo ele, utilizam os votos da direita sem compartilhar seus valores. A linha agora é rígida, assumidamente conservadora e alinhada ao bolsonarismo.

Esse reposicionamento não é apenas discursivo. O PL concentra hoje a maior estrutura partidária do país e o maior fundo eleitoral nacional — um ativo que pesa, e muito, em qualquer disputa majoritária. É nesse cenário que ganham força, nos bastidores, as articulações para a formação de uma nova chapa de oposição em Sergipe, tendo Ricardo Marques como pré-candidato ao Governo do Estado e Rodrigo Valadares ao Senado. Para ambos, a equação é funcional: Ricardo recupera protagonismo político, e Rodrigo consolida um palanque ideologicamente coeso para sustentar sua pré-candidatura.

É evidente que o grupo liderado por Emília Corrêa ainda detém força popular relevante e influência consistente da máquina da maior prefeitura de Sergipe, Aracaju. No entanto, a exclusão de atores relevantes e o fechamento do diálogo produzem efeitos colaterais inevitáveis. Se essa articulação se confirmar, a oposição pode assistir ao surgimento de uma terceira via com identidade ideológica definida, estrutura robusta e o impulso eleitoral do bolsonarismo — um fator que, goste-se ou não, segue decisivo em todo o território nacional e que, em Sergipe, não seria diferente, já que o público bolsonarista costuma ser orgânico e fiel às suas ideias políticas.