Inteligência artificial no serviço público: oportunidade para o Estado focar no que mais importa

Estão fazendo um verdadeiro carnaval político em torno das declarações da economista Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, sobre o uso da inteligência artificial no serviço público. Antes de transformar qualquer discussão em munição eleitoral, seria interessante compreender o que realmente foi dito. Pelo que apresentou, a proposta não seria sair demitindo servidores concursados, mas substituir gradualmente determinadas funções consideradas dispensáveis, à medida que os atuais ocupantes se aposentassem. É uma diferença importante que não pode ser ignorada!
A inteligência artificial é uma realidade mundial, praticamente um caminho sem volta. Ignorar seu potencial para modernizar a administração pública seria como querer enfrentar os desafios do século XXI com uma máquina de escrever. Evidentemente, nem toda atividade pode ser substituída por tecnologia, especialmente aquelas que exigem sensibilidade humana e atendimento direto à população. Mas manter estruturas ultrapassadas apenas porque sempre funcionaram assim também não parece razoável.
Outro ponto que merece reflexão é o peso da máquina pública sobre a economia. Um Estado mais eficiente, que combate desperdícios e controla suas despesas, pode contribuir para o equilíbrio fiscal, ajudar a conter a inflação e criar condições para a redução dos juros. Mas não existe milagre econômico: inflação também se combate com política monetária responsável, aumento da produção, investimentos e produtividade. Reduzir gastos desnecessários é parte da solução, não uma fórmula mágica.
É preciso compreender uma coisa: governos não existem simplesmente para empregar servidores e pagar salários. Existem para servir à população! O funcionalismo é indispensável para o funcionamento do Estado, mas representa um instrumento para garantir serviços públicos, e não sua finalidade. Numa economia saudável, a iniciativa privada deve ser protagonista na geração de empregos, enquanto o poder público precisa assegurar condições para o desenvolvimento e serviços de qualidade. Isso exige valorizar os bons servidores, respeitar seus direitos e combater privilégios e ineficiências.
No fim das contas, a discussão não deveria ser reduzida a uma guerra entre defensores e adversários de Flávio Bolsonaro. A proposta precisa ser detalhada, seus impactos avaliados e seus limites debatidos. Afinal, o cidadão não quer saber apenas quantos servidores estão na folha de pagamento. Quer saber se a saúde funciona, se a escola ensina, se a segurança protege e se o dinheiro dos seus impostos está sendo bem aplicado. É essa a régua que deveria orientar qualquer governo. O resto corre o risco de virar apenas mais uma disputa eleitoral barulhenta e pouco produtiva.












