Governo de Sergipe amplia para 146 unidades escolares em tempo integral

08/01/2026 às 19:17:08

Uma educação é transformadora quando ela se insere na vida do estudante, garantindo oportunidades que melhoram a vida dele. É por isso que o Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seed), está transformando as escolas da rede pública estadual de ensino, com a expansão do ensino em tempo integral nas escolas sergipanas. Serão mais 37 novas unidades de ensino adequadas ao novo modelo em 2026, alcançando a marca histórica de 46% do total de unidades com tempo integral, atingindo o Ensino Médio e o Ensino Fundamental (Anos Finais).

Com essa expansão para este ano, Sergipe chegará a 146 escolas com essa modalidade de ensino na rede pública estadual de educação, com potencial de impactar cerca de 35 mil alunos. Neste modelo, as instituições ultrapassam o modo tradicional de ensino, integrando atividades diversas que conversam com a cultura, o esporte, as artes, a tecnologia, o meio ambiente e demais áreas, a partir de itinerários formativos, que são uma parte flexível e personalizável da grade de ensino, possuindo disciplinas, atividades e oficinas para aprofundar esses setores. O tempo de aula na escola é de, no mínimo, sete horas, e o estudante concilia a grade de ensino estabelecida pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) com essas diversas áreas.

Segundo o coordenador geral do Núcleo Gestor de Educação em Tempo Integral (NGETI), Cleudo Melo Araújo, as escolas da rede pública estadual de educação que serão inseridas no tempo integral (incluindo aquelas que já estavam) estão adequadas para a aplicação desta modalidade de ensino. “O Estado de Sergipe tem investido de forma sistemática na adequação e expansão da infraestrutura escolar, na formação continuada dos profissionais da educação e no fortalecimento dos processos de gestão pedagógica e administrativa. Tais ações visam a garantir condições institucionais adequadas para a permanência, o sucesso escolar e o desenvolvimento pleno dos estudantes, em consonância com as diretrizes nacionais e estaduais que orientam a política de educação integral”, afirma.

Acima da média nacional

As escolas em tempo integral em Sergipe atendem ao Plano Estadual de Educação (PEE) e à Política Sergipana de Educação Integral em Tempo Integral, sendo este último definido na Lei nº 9.800/2025, que estabelece a necessidade de as escolas da rede ofertarem todas as áreas do conhecimento de forma integrada. Além disso, no âmbito nacional, elas também atendem ao Plano Nacional de Educação (PNE), que tem meta de atingir 50% das escolas públicas neste modelo no país, capacitadas para o modelo.

Conforme dados do Censo Escolar de 2024, quase 23% das escolas públicas brasileiras têm o ensino em tempo integral, incluindo a Educação Infantil, o Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Finais) e o Ensino Médio.

Projetos transformadores

A expansão do ensino integral segue nas escolas sergipanas. Uma das que vão entrar no modelo em 2026 é o Centro de Excelência Professor Valnir Chagas. A unidade oferta o Ensino Fundamental (Anos Finais) e o Programa Sergipe na Idade Certa (ProSIC), e irá iniciar o ano com ensino integral em duas turmas dos sextos anos do Ensino Fundamental, abrangendo 60 vagas, com 30 para cada turma, no formato de sete horas diárias. A diretora da unidade, Andreia Abreu, destaca que a escola recebeu essa novidade com entusiasmo, e que os alunos receberão alimentação adequada durante o tempo na escola. “A procura está sendo muito grande, com muitos pais já sabendo pelo ‘boca a boca’ da novidade”, ressalta.

Outro exemplo de escola nesse modelo e que tem a educação transformadora em Sergipe é o Centro de Excelência John Kennedy, localizado no bairro Getúlio Vargas, em Aracaju (DEA). A escola está inserida neste modelo desde 2018 e contou, em 2025, com 334 alunos matriculados e inseridos neste ensino, do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. A diretora do centro, Armenia Fernandes, destaca que o ensino em tempo integral é o modelo ideal para explorar as múltiplas áreas de vivência dos alunos, e cita um exemplo de itinerário aplicado na escola, que possui parcerias com discentes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), inseridos no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid).

“Nós estamos desenvolvendo o projeto ‘Minha Escola é Sustentável’, em que plantamos árvores frutíferas nos nossos espaços que eram mais ociosos e desenvolvemos uma horta escolar. A gente tem uma composteira, que traz o biofertilizante feito a partir dos resíduos orgânicos da alimentação escolar, e utilizamos tanto nos nossos espaços de jardim como na horta. Então, é um projeto que a gente precisa de tempo, e se não tivéssemos o aluno na integralidade na escola, não iríamos conseguir desenvolver”, reforça.

O Centro de Excelência Prof. João Costa, também localizada no bairro Getúlio Vargas, na capital sergipana (DEA), oferta o ensino em tempo integral. Com o Ensino Médio e cursos profissionalizantes, a escola entrou na modalidade no mesmo ano em que entrou o ‘John Kennedy’, em 2018. O diretor da escola, Rogério Luiz da Silva, afirma que a unidade de ensino sofreu grandes mudanças com a aplicação do Tempo Integral.

“A gente viu toda uma transformação na educação da escola nesses oito anos em que estamos com a modalidade. Inclusive, nas aprovações, antes do tempo integral, a gente tinha uma escola com 67% de reprovação só na primeira série, mais 40% na segunda e mais 20% na terceira. A reprovação era muito alta, ou seja, era a escola que mais reprovava, infelizmente, nesse tempo. Com o integral, isso foi mudando drasticamente. Hoje, a nossa reprovação de 2025 foi menos de 1%. Uma queda drástica nessa questão, com a evolução dos alunos”, enfatiza.

Outro ponto que o diretor evidencia é o aumento da aprovação dos alunos para o ensino superior, pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu). “Antes do tempo integral, a gente conseguia levar cinco alunos para a UFS. No ano passado, a gente fechou com quase 70 alunos aprovados na UFS, inclusive em cursos de medicina, e outros mais concorridos”, reforça.

A reação positiva dos alunos ao modelo também é vista no Centro de Excelência Leandro Maciel, no bairro Ponto Novo, na capital, o qual oferta o nono ano do Ensino Fundamental (Anos Finais) e o Ensino Médio. A diretora Carla Surama explica que a escola influenciou outras a se tornarem integrais, e que a procura desde que a modalidade chegou à escola aumentou. “Começamos a modalidade em 2018, com o Ensino Médio, de forma gradativa. Em 2022, nós recebemos a proposta de ser a escola-piloto para a expansão no Ensino Fundamental. Foi tão bem sucedida e a procura foi tão grande que os estudantes se adaptaram e o modelo serviu para expansão em outras escolas. A comunidade do Ponto Novo gosta do ensino em tempo integral, e os pais e estudantes se sentem muito acolhidos na nossa escola”, conta.