Comprou a briga e pagou o Pato: sem garantias e na força do próprio braço, Thiago de Joaldo abraça discurso oposicionista e vê escolha política custar seu mandato

Por Flavão Fraga
Na política, escolher o lado é importante. Mas escolher a hora, calcular o caminho e saber com quem se está indo pode ser ainda mais. Thiago de Joaldo rompeu com o agrupamento governista, saiu magoado e mergulhou numa oposição pensando em ajudá-la a chegar forte em 2026. E não foi para ficar escondido: comprou o enfrentamento com a gestão de Fábio Mitidieri, fiscalizou, denunciou, endureceu o tom e, durante muito tempo, foi praticamente uma voz solitária no discurso mais incisivo da oposição. O problema é que trocou de trincheira sem aparentemente garantir quem lhe daria cobertura quando chegasse a eleição. Fez política primeiro com o fígado e só depois descobriu a necessidade da calculadora.
O mais curioso é que Thiago fez o dever de casa. Saiu de 45.698 votos em 2022 para 57.541 em 2026, crescimento de 11.843 votos, quase 26%. Na força do próprio braço, ampliou sua votação e mostrou capacidade de articulação. Mesmo assim, perdeu o mandato. Em 2022, pelo Progressistas, conseguiu pavimentar sua eleição num ambiente em que Fábio também disputava o Governo. Quatro anos depois, fez mais votos, mas descobriu da pior maneira que eleição proporcional não é corrida individual. Faltaram apenas 7.146 votos ao Republicanos para conquistar a segunda cadeira — justamente a que seria de Thiago.
E os sinais de fragilidade estavam dentro do próprio projeto. Valmir de Francisquinho recebeu 459.908 votos e perdeu o Governo para Fábio Mitidieri, que alcançou 727.291, uma diferença de 267.383 votos. E se Valmir não conseguiu impulsionar nem o próprio filho, imagine um aliado. Ícaro de Valmir, mesmo deputado e tendo o pai percorrendo Sergipe como candidato a governador, caiu de 75.912 votos em 2022 para 66.696 em 2026, perdendo 9.216 votos. A ironia da matemática é cruel: Ícaro perdeu de uma eleição para outra mais votos do que os 7.146 que faltaram para Thiago continuar deputado. A locomotiva de Valmir percorreu Sergipe, mas, ao final, não conseguiu puxar nem o vagão da própria família.
O amparo político de que Thiago precisava também não veio de Emília Corrêa, prefeita de Aracaju e presidente estadual do Republicanos. Emília fez sua escolha e apostou todas as fichas em Susane Vidal, mas não conseguiu fazê-la chegar sequer aos 30 mil votos. Ninguém transfere eleitor por decreto, claro, mas liderança política também se mede pela capacidade de organizar chapa, agregar forças e potencializar aliados. Emília não priorizou Thiago, e sua aposta na jornalista, ex-TV Sergipe, também não produziu a gordura eleitoral necessária para o Republicanos alcançar a margem que garantiria seu segundo deputado federal. No fim das contas, Thiago ficou olhando para aqueles míseros 7.146 votos que separaram o partido da cadeira que poderia ter sido sua.
No fim, Thiago não perdeu votos: perdeu a cadeira depois de se entregar de corpo e alma ao discurso de oposição acirrada ao governo Mitidieri e escolher um caminho que aumentou seu risco sem lhe oferecer a proteção política correspondente. Cresceu quase 26%, enquanto Ícaro encolheu e continuou deputado; comprou o desgaste do enfrentamento enquanto seus novos líderes não conseguiram produzir os poucos milhares de votos necessários para salvá-lo. Na política, às vezes o problema não é lutar pouco — é escolher a guerra sem combinar quem vai lutar ao seu lado. Thiago entrou na trincheira, carregou a bandeira e aumentou sua votação. Quando olhou para trás procurando reforço, faltou tropa. Comprou a briga, perdeu a cadeira e, no fim, pagou o Pato.












