"Com Fábio Mitidieri, conquistamos espaço para dialogar e avançar na proteção animal", afirma Kitty Lima

A entrevistada desta semana no FF Notícias é a deputada estadual, Kitty Lima (Cidadania).
Embora não tenha sido eleita diretamente nas eleições de 2022, ela assumiu o mandato de forma efetiva após a eleição do titular Samuel Carvalho (MDB) para a Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro.
Em um bate-papo descontraído e transparente, a parlamentar compartilha detalhes de sua trajetória, avalia sua atuação à frente da Superintendência Estadual de Proteção Animal e projeta os desafios para os próximos anos.
Antes da entrevista, conheça um pouco mais sobre a trajetória de Kitty Lima e seu histórico de compromisso com a causa animal:
Natural de Aracaju, formada em Direito pela Universidade Tiradentes (Unit) e também radialista pelo Senac, Kitty é referência no ativismo em defesa dos animais em Sergipe. Seu engajamento começou ainda na infância e se consolidou com a fundação da ONG Anjos, dedicada ao resgate e reabilitação de animais abandonados.
Na vida pública, foi vereadora de Aracaju e deputada estadual, sempre pautando seu trabalho pela proteção animal. Nos últimos dois anos, esteve à frente da Superintendência Estadual de Proteção Animal, onde promoveu avanços significativos como a ampliação do Castramóvel e a regulamentação da figura do animal comunitário em condomínios.
Agora, de volta à Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), Kitty pretende intensificar sua atuação, ampliando políticas públicas voltadas à causa animal.
Durante a entrevista, ela também comenta sua decisão política no segundo turno das eleições de 2022, quando deixou a oposição para apoiar a candidatura de Fábio Mitidieri (PSD), atual governador do Estado. Segundo a deputada, a escolha foi acertada: Mitidieri tem demonstrado sensibilidade à causa animal, abrindo espaço para o diálogo e impulsionando pautas que antes eram travadas.
Confira abaixo a entrevista completa com a deputada estadual Kitty Lima (Cidadania).
FF Notícias – O que alimenta sua determinação na defesa dos direitos dos animais desde a infância?
Kitty Lima – Não sou apenas protetora de cães e gatos, mas dos animais em geral. Sinto que nasci com esse dom. Minha determinação vem de duas motivações principais: primeiro, porque via a ausência de representantes no parlamento que defendessem essa pauta. A causa animal, que também é uma questão de saúde pública, era invisível. E segundo, porque queria ver mais mulheres com voz na política, ocupando espaços reais e não apenas compondo listas.
FF – A transição do ativismo para a política partidária trouxe desafios inesperados?
KL – Com certeza. Mas consegui e continuo conciliando as duas frentes. Sigo atuando como protetora, mantenho minha ONG e continuo com os resgates. Apenas precisei organizar melhor meu tempo, pois além de ativista, sou mãe e deputada, com atuação em vários municípios.
FF – Qual foi o maior obstáculo nesse processo?
KL – Convencer os colegas parlamentares da importância da causa. Projetos considerados “fofos”, como o Dia dos Animais, são bem aceitos. Mas iniciativas como a lei dos fogos silenciosos enfrentaram muita resistência sob o argumento de que afetariam tradições culturais — o que não é verdade. Esses projetos protegem não só os animais, mas também autistas, idosos e pessoas enfermas. Felizmente, hoje temos um governo mais sensível ao tema, o que tem facilitado avanços.
FF – O que mudou desde a criação da Superintendência Estadual de Proteção Animal?
KL – Sempre quis ter “a caneta na mão” para executar aquilo que defendia no parlamento. No governo anterior, muitas propostas esbarravam na falta de vontade política. Com a Superintendência, colocamos em prática ações importantes: em menos de dois meses, viabilizamos o primeiro Castramóvel de Sergipe. Hoje, mais de 40 municípios já foram contemplados. Também deixei encaminhados projetos como o Banco de Ração, a chipagem de animais e a criação do Centro de Reabilitação Animal, com clínica veterinária gratuita.
FF – Como está sendo aplicada a regulamentação do Código Estadual de Proteção Animal?
KL – A regulamentação deu vida à legislação. Um exemplo é a lei que obriga síndicos de condomínios a denunciarem maus-tratos. Já observamos punições que antes não existiam. A figura do animal comunitário agora tem respaldo legal, impedindo sua remoção ou privação de cuidados, mesmo sem um tutor formal.
FF – Há planos para ampliar os atendimentos do Castramóvel?
KL – Sim. Já garantimos recursos para adquirir dois novos Castramóveis, no formato de ônibus ou carreta, o que permitirá triplicar a capacidade de atendimento. Hoje, em algumas ações, conseguimos castrar mais de 80 animais por dia — um número expressivo, superior ao de muitos estados.
FF – Como combater o preconceito na adoção de animais adultos e sem raça definida?
KL – Embora os vira-latas — especialmente os "caramelos" — estejam mais visíveis, os filhotes ainda são preferidos. Precisamos ampliar a conscientização sobre as vantagens de adotar animais adultos: são mais tranquilos, já estão castrados e têm o comportamento definido.
FF – A proteção animal se conecta à defesa dos direitos humanos?
KL – Totalmente. Existe a “teoria do elo”, que mostra que lares com maus-tratos a animais muitas vezes também abrigam violência contra mulheres e crianças. Em palestras, ouvimos relatos de crianças que presenciam agressões aos animais e também sofrem abusos. Um exemplo marcante foi o caso do cavalo Don, espancado por um menor de idade criado em ambiente violento. É um ciclo que precisamos romper.
FF – O projeto de fim das carroças ainda encontra resistência?
KL – Sim. Ainda não temos apoio total na Alese, mas seguimos avançando. Desde 2017, defendo que a transição ocorra de forma gradual, em até seis anos, com qualificação profissional e alternativas de renda para os carroceiros. Já iniciamos o processo de cadastramento com apoio do governo.
FF – Como reagiu às críticas sobre sua nomeação como vice-líder do governo na Alese?
KL – O que me incomodou foi a exposição desnecessária nas redes sociais. Mas já conversamos internamente e superamos o episódio. Continuarei agindo com independência e coerência com os meus princípios, sempre disposta ao diálogo.
FF – E se surgir alguma pauta do governo que contrarie a causa animal?
KL – Desde o início, deixei claro que, em caso de divergências, o diálogo prevaleceria. No governo anterior, sequer era recebida para discutir projetos. Hoje, com Fábio Mitidieri, há abertura para construir soluções conjuntas.
FF – Quais são suas prioridades neste novo mandato?
KL – Entregar resultados concretos. Quando cheguei à Alese, não havia nenhuma política pública para os animais. Hoje temos o Castramóvel, leis regulamentadas e ações educativas em andamento. A chipagem de animais será iniciada em breve, com verba já garantida. O programa Pet Saúde, inédito no Brasil, vai oferecer exames, cirurgias e outros procedimentos gratuitamente, por meio de clínicas conveniadas.
Também estamos estruturando um banco de dados e avançando em outras pautas sociais, especialmente em defesa das minorias — uma causa que também me move profundamente.
FF – Já está pensando na eleição de 2026?
KL – Sim. Temos sido procurados por muitas pessoas que reconhecem o nosso trabalho e querem somar forças. Vamos com tudo para a reeleição. Hoje, temos uma gestão que escuta e investe de verdade na causa que escolhi defender com o coração. Com a efetivação da vice-liderança, construiremos um cenário sólido e promissor para 2026.