Com Bolsonaro fora do jogo, direita corre risco de divisão e pode favorecer reeleição de Lula

Com a atual situação de inelegibilidade do ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PL), e diante da possibilidade de sua prisão por suposto envolvimento em atos preparatórios de um golpe contra o Estado Democrático de Direito, a direita brasileira poderá perder sua principal liderança — o único nome até aqui capaz de unificar todas as forças desse campo político.
Com Bolsonaro fora da disputa — e ainda mais caso esteja, de fato, cumprindo pena em regime fechado — é provável que ele recomende a candidatura de sua esposa ou de algum de seus filhos. De perfil político marcadamente personalista, Bolsonaro dificilmente apoiaria um nome fora do seu núcleo familiar.
Diante desse cenário, não é difícil prever uma fragmentação real do bloco de direita, com a multiplicação de candidaturas dentro do mesmo espectro político. Sem seu principal líder, outros nomes tendem a se lançar na disputa, tentando herdar o espólio eleitoral deixado pela ausência do “mito”. É difícil conter as iniciativas de governadores de direita em segundo mandato, com boa avaliação popular, como é o caso de Romeu Zema (NOVO), de Minas Gerais; Ratinho Jr. (PSD), do Paraná; e Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, que inclusive já lançou sua pré-candidatura à Presidência da República. Também aparecem no radar o empresário e influenciador digital Pablo Marçal (PRTB) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), embora ainda não se saiba se este estaria disposto a trocar uma reeleição praticamente certa por uma candidatura nacional.
O fato é que, até agora, Jair Bolsonaro parece ser o único nome capaz de centralizar o campo conservador em torno de uma candidatura única. Sem ele, a tendência é de uma disputa marcada pelo “cada um por si”, com uma pulverização de candidaturas à direita. Caso esse cenário se confirme, abre-se um caminho favorável para a consolidação do projeto de reeleição do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja base eleitoral na esquerda segue fortemente centralizada em seu nome.
Se a direita não demonstrar maturidade política — e, sobretudo, se Bolsonaro insistir em priorizar um nome familiar, em vez de fazer um gesto de amplitude em favor de seus aliados — corre o risco de ver Lula ser reeleito, mesmo com as dificuldades enfrentadas pelo governo federal, como a alta persistente dos preços dos alimentos.
