Valmir: “privatização” para os outros é veneno; para si mesmo foi um remédio que acabou na Justiça?

04/06/2026 às 16:57:57
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial
Resumo: Ao criticar a concessão privada dos serviços da Deso, Valmir passa a enfrentar questionamentos sobre a coerência de seu discurso. Quando prefeito de Itabaiana, ele também adotou um modelo de concessão à iniciativa privada em contrato que posteriormente se tornou alvo de investigações, suspeitas de irregularidades e processo judicial.

Por Flavão Fraga


Ao criticar a concessão dos serviços da Deso, o ex-prefeito de Itabaiana e pré-candidato ao Governo de Sergipe, Valmir de Francisquinho, vê surgir questionamentos sobre a coerência do próprio discurso. Isso porque, durante sua gestão municipal, adotou um modelo semelhante de concessão para a administração do Matadouro Municipal, contrato que posteriormente se tornou alvo de investigações e ações judiciais envolvendo supostos desvios de recursos públicos.

Hoje, um dos principais opositores da concessão dos serviços de água e esgoto em Sergipe, Valmir tem direcionado duras críticas ao modelo implantado pelo Governo do Estado. O discurso, no entanto, encontra resistência entre adversários e observadores políticos que recordam decisões tomadas por ele quando esteve à frente da Prefeitura de Itabaiana.

Na ocasião, atividades relacionadas ao Matadouro Municipal foram transferidas à iniciativa privada por meio de contrato de concessão. O fato abriu espaço para comparações com a postura adotada atualmente pelo ex-prefeito, que busca se posicionar como crítico da participação privada na prestação de serviços públicos. Para seus críticos, a diferença entre o discurso de hoje e a prática de ontem levanta dúvidas sobre a consistência dessa narrativa.

O debate ganha ainda mais relevância porque o contrato do matadouro acabou se transformando em objeto de investigações e disputas judiciais que seguem em andamento. Dependendo do desfecho das ações, o caso poderá produzir reflexos políticos e eleitorais para Valmir no futuro.

Enquanto a concessão dos serviços da antiga Deso continua sendo alvo de críticas do grupo liderado por Valmir, seus adversários sustentam que há uma diferença fundamental entre os dois episódios: de um lado, uma concessão estadual que não é alvo de questionamentos judiciais relacionados à sua legalidade; de outro, um contrato municipal que acabou submetido ao crivo da Justiça. Nesse contexto, a discussão deixa de tratar apenas do modelo de concessão e passa a envolver também a coerência entre o discurso político e as decisões adotadas quando se exerce o poder.