União Europeia suspende compra de produtos de origem animal do Brasil

13/05/2026 às 18:17:32
Foto: Arquivo/Agência Brasil

A União Europeia anunciou nesta última terça-feira (12) a suspensão das importações de carnes e produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026. A medida foi divulgada pela Comissão Europeia e ocorre porque, segundo o bloco, o país não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. A decisão afeta exportações brasileiras de carne bovina, aves, ovos, mel, peixes e animais vivos destinados à alimentação. 

Segundo as autoridades europeias, o Brasil deixou de integrar a lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao mercado europeu após uma revisão das regras sanitárias relacionadas ao uso de medicamentos antimicrobianos na criação animal. A União Europeia afirma que o uso excessivo dessas substâncias pode aumentar a resistência bacteriana, dificultando tratamentos médicos tanto em humanos quanto em animais. 

A restrição ainda precisa ser formalizada no Diário Oficial da União Europeia para produzir efeitos legais definitivos. Mesmo assim, o anúncio já gerou preocupação entre representantes do agronegócio brasileiro, já que o bloco europeu é considerado um dos principais mercados consumidores das proteínas exportadas pelo país. Outros integrantes do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permanecem autorizados a exportar normalmente para a Europa. 

Em resposta à decisão, o governo brasileiro informou ter recebido a medida “com surpresa” e afirmou que adotará providências para tentar reverter o veto antes do prazo estabelecido pela União Europeia. Diplomatas brasileiros junto ao bloco europeu já têm reuniões previstas com autoridades sanitárias europeias para discutir o caso e buscar esclarecimentos sobre as exigências impostas ao Brasil. 

Apesar do impacto econômico, especialistas e autoridades ressaltam que a decisão não indica contaminação ou problemas sanitários diretos nas carnes brasileiras. O principal ponto de divergência envolve critérios regulatórios, rastreabilidade e comprovação de controle sobre substâncias utilizadas na produção pecuária. 

A medida ocorre em um momento de aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia, após o avanço recente do acordo comercial entre os blocos. O veto temporário amplia a pressão sobre o setor agropecuário brasileiro e reacende discussões sobre adequação sanitária, exigências ambientais e barreiras comerciais no mercado internacional.

Fonte: Agência Brasil