Tem fermento nesse bolo: Elber cresce, aperta Marcos e PSB já faz contas para uma segunda fatia na disputa por cadeiras na Câmara Federal

O cenário da disputa para deputado federal em Sergipe começa a apresentar uma movimentação surpreendente dentro do PSB. Se, no início da caminhada eleitoral, a leitura era de uma chapa construída, a muito suor e empenho da família Mitidieri, para garantir prioritariamente a eleição de Cláudio Mitidieri, deixando os demais nomes sonhando, no máximo, em fisgar uma primeira suplência, parece que o projeto original vem crescendo além das previsões e fazendo o partido começar a enxergar uma possibilidade que antes parecia distante: conquistar uma segunda cadeira no Parlamento Federal.
Cláudio continua sendo a grande força impulsionadora da chapa. Sua candidatura ganhou ainda mais musculatura durante a campanha e, nos bastidores, já é tratada como capaz de alcançar uma votação bastante expressiva, com potencial de produzir votos que contribuam decisivamente para a matemática necessária à eleição de um segundo deputado federal socialista.
Além do possível fenômeno eleitoral representado por Dr. Cláudio, outro ingrediente vem acrescentando fermento ao bolo socialista: o visível crescimento da candidatura do vereador de Aracaju Elber Batalha. Ele vem fazendo frente à candidatura do ex-prefeito de São Cristóvão Marcos Santana, que, apesar de também apresentar uma campanha em ascensão, começa a sentir-se ameaçado pelo avanço de Elber, notadamente nas ruas da Grande Aracaju.
Durante boa parte da pré-campanha, Marcos Santana despontava naturalmente como uma espécie de segundo nome do PSB, quase que previamente definido. Ex-prefeito de um dos maiores municípios do estado, com grupo político consolidado, trajetória administrativa reconhecida por seus aliados e apoios construídos em diferentes regiões, Marcos parecia caminhar com certa tranquilidade nessa posição, como se tivesse estabilidade suficiente para, no mínimo, conquistar a primeira suplência da chapa.
Mas, como em política estabilidade é artigo raro e o cenário se modifica com o mesmo dinamismo do sopro dos ventos, Elber Batalha começou a colher os frutos da política incisiva e qualificada de oposição que vem fazendo à prefeita de Aracaju, Emília Corrêa. Essa postura parece aproximá-lo de uma parcela importante do chamado voto de opinião, especialmente entre eleitores que possuem rejeição à administração da prefeita que chegou ao poder com o discurso de “furar a bolha do sistemão”.
Desta feita, Elber Batalha cresceu. E cresceu a ponto de seu nome passar a representar uma visível pedra no caminho de Marcos Santana.
Marcos também vem realizando uma campanha crescente e já pode enxergar, junto com os demais integrantes do partido, uma possibilidade que anteriormente parecia bem mais difícil: o PSB eleger dois deputados federais. Só que, para transformar essa possibilidade coletiva numa conquista individual, existe uma condição óbvia: além de o partido alcançar a matemática necessária para duas cadeiras, Marcos precisaria superar justamente o emergente Elber, que avança eleitoralmente a ponto de começar a assustá-lo.
Vereador de Aracaju e líder da oposição na Câmara Municipal, Elber transformou sua atuação combativa contra a gestão de Emília Corrêa numa importante vitrine política. A percepção nos bastidores é de que uma parcela do eleitorado insatisfeito com a administração municipal passou a enxergar no vereador uma referência de oposição, fortalecendo sua candidatura principalmente no chamado voto de opinião em Aracaju e na Grande Aracaju.
Ao mesmo tempo, Elber vem percorrendo municípios do interior, pinçando apoios aqui e acolá e tentando complementar sua força eleitoral na capital. É justamente essa combinação que começa a modificar uma disputa que, até pouco tempo atrás, parecia apresentar Marcos Santana com uma vantagem mais confortável.
Hoje, pelas avaliações políticas que chegam à nossa coluna, Marcos Santana e Elber Batalha já protagonizam uma disputa parelha pela condição de segunda força da chapa do PSB.
E essa briga pode acabar sendo muito boa para o próprio partido.
Quanto mais Marcos cresce para defender seu espaço, mais votos acrescenta à legenda. Quanto mais Elber avança tentando ultrapassá-lo, mais votos também coloca dentro da chapa. E, acima dos dois, está Cláudio Mitidieri, funcionando como o grande impulsionador dessa engrenagem eleitoral.
É justamente a soma desses movimentos que começa a alimentar dentro do PSB a possibilidade de uma segunda cadeira. O crescimento de Cláudio, somado à disputa voto a voto entre Marcos e Elber e à contribuição dos demais candidatos da legenda, pode colocar o partido em condições de disputar uma segunda vaga, a depender, naturalmente, da votação final das demais legendas e da matemática eleitoral produzida pelas urnas.
O também promissor vereador de Aracaju Breno Garibalde, que vem imprimindo um excelente ritmo de campanha, aparece com competitividade e contribui para fortalecer a chapa. Embora, neste momento, sua candidatura não demonstre a mesma visibilidade percebida em Marcos e Elber, Breno também acrescenta votos importantes ao bolo partidário. Ainda assim, são Marcos Santana e Elber Batalha que hoje protagonizam a disputa interna que mais chama atenção no ambiente socialista sergipano.
Elber, por sinal, não é exatamente um novato em eleições proporcionais. Advogado, defensor público de carreira e vereador com sucessivos mandatos na capital, já disputou uma cadeira de deputado federal em 2018, quando obteve 16.857 votos e ficou na suplência, mesmo tendo saído recentemente do comando de duas secretarias estaduais consideradas mais burocráticas e de menor exposição popular. Agora, retorna à disputa com uma vitrine política muito maior na capital, maior apelo popular na Grande Aracaju e sem perder de vista a necessidade de ampliar sua presença no interior.
Marcos, por outro lado, carrega a experiência de quem administrou São Cristóvão e conseguiu eleger seu sucessor em um dos principais municípios sergipanos. Isso lhe proporciona um grupo político estruturado e ajuda a explicar por que entrou na campanha sendo apontado, a princípio e em tese, como o segundo nome natural da chapa.
O crescimento de Elber, porém, foi um ponto fora da curva e precisa entrar no radar de qualquer análise política sobre a chapa federal do PSB.
Por isso, o cenário ficou interessante.
O crescimento de Elber assusta Marcos. A força de reação de Marcos obriga Elber a crescer ainda mais. E essa disputa entre os dois, em vez de necessariamente prejudicar o PSB, pode ser justamente o ingrediente que faltava para ajudar a criar as condições eleitorais necessárias para o partido sonhar concretamente com uma segunda cadeira.
Cláudio Mitidieri, com sua robusta campanha eleitoral, é o grande puxador de votos da chapa. Marcos Santana tenta preservar a condição de segundo nome. Elber Batalha chega forte por fora e ameaça essa posição. E os dois últimos passam a travar uma disputa que, neste momento, parece ter se tornado bastante equilibrada.
Se a votação coletiva da chapa federal do PSB for suficiente para conquistar duas cadeiras, a eleição poderá reservar uma disputa particular emocionante: Marcos Santana ou Elber Batalha?
Ainda é cedo para responder. Quem dará essa resposta serão as urnas.
Mas uma coisa já mudou nesta reta final: a segunda cadeira do PSB, que no início parecia uma possibilidade bastante remota, passou a entrar de vez nas contas eleitorais do partido.












