Defesa de Vorcaro questiona integridade de provas e pede dados originais de celular ao STF

30/10/2026 às 18:32:01
Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro apresentou, nesta quinta-feira (29), ao Supremo Tribunal Federal (STF), uma perícia particular realizada no aparelho celular do empresário, apreendido pela Polícia Federal (PF) em 17 de novembro de 2025. O laudo aponta que 657 arquivos armazenados no dispositivo foram modificados e outros 436 foram criados após a apreensão. Diante das constatações, os advogados questionam a integridade das provas e pedem acesso aos dados originais do aparelho, além de defenderem a soltura do ex-banqueiro.

O celular é considerado uma das principais provas das investigações sobre as relações de Vorcaro com políticos e as supostas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB). Segundo o documento apresentado pela defesa, as alterações identificadas nos arquivos ocorreram enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal e do Estado.

Para os advogados, os registros encontrados comprometem a possibilidade de verificar a integralidade do conteúdo armazenado no dispositivo e dimensionar o alcance das modificações. Em manifestação sobre o resultado da perícia, a defesa declarou: "É estarrecedor que o perito tenha identificado que centenas de arquivos do celular apresentem registros de modificação quando já estavam sob custódia da Polícia Federal e do Estado".

Com base nas conclusões do laudo particular, a defesa solicitou ao STF que a Polícia Federal disponibilize os dados originais do celular para uma nova verificação. Os advogados também argumentaram que as constatações reforçam a necessidade de libertação de Vorcaro, que permanece preso. "É inconcebível que Daniel Vorcaro esteja custodiado há mais oito meses, com a liberdade restringida há quase um ano, sem que haja contra ele qualquer acusação formal ou perspectiva de processo, o que torna sua soltura urgente, necessária e obrigatória", afirmou a defesa.

O documento, entretanto, ressalta que o registro de modificação de um arquivo, isoladamente, não permite afirmar que a alteração tenha sido realizada diretamente por uma pessoa. Segundo o pedido apresentado ao Supremo, o dado demonstra que houve mudança no estado dos arquivos enquanto o aparelho estava sob custódia estatal.

Indiciamento na Operação Compliance

A apresentação da perícia ocorre um dia após Vorcaro e outros 14 investigados na Operação Compliance serem indiciados pela Polícia Federal, na quarta-feira (28). De acordo com o relatório policial, o ex-banqueiro teria tido "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações envolvendo carteiras de crédito consideradas irregulares do Banco Master, que, segundo a investigação, teriam provocado prejuízos ao BRB.

No relatório, a Polícia Federal apontou que Vorcaro ocupava posição central nas decisões relacionadas às operações investigadas. "Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição", concluiu a PF.

Os 15 investigados foram indiciados pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O indiciamento representa a conclusão da etapa de investigação policial quanto à identificação de possíveis responsáveis, mas não equivale a uma condenação judicial.

Defesa contesta prejuízos ao BRB

Após o indiciamento, os advogados de Daniel Vorcaro negaram que as operações envolvendo o Banco Master e o BRB tenham provocado prejuízos à instituição financeira pública. Na avaliação da defesa, mesmo após um ano de investigações, a Polícia Federal não teria apresentado avanços capazes de comprovar as irregularidades apontadas. Os representantes do ex-banqueiro afirmaram que a PF se "limita a repetir a mesma narrativa".

Em manifestação sobre as operações envolvendo as carteiras de crédito da Tirreno, a defesa sustentou que o negócio não foi concluído e que os ativos foram substituídos por outros. "O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo", afirmou a defesa.

Fonte: Agência Brasil