Operação Pergaminho cumpre 70 ordens judiciais contra organização criminosa em Sergipe

14/04/2026 às 20:05:26
Foto: SSP/SE

A Secretaria da Segurança Pública de Sergipe deflagrou, na manhã desta terça-feira (14), a Operação Pergaminho, que resultou no cumprimento de cerca de 70 ordens judiciais contra uma organização criminosa com atuação interestadual, com ações realizadas em Aracaju, interior do estado e também em unidades da federação como Bahia e Paraná; a ofensiva teve como objetivo desarticular o grupo investigado por tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro. 

De acordo com as investigações, a organização criminosa tinha base no conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão, mas atuava em toda a Região Metropolitana de Aracaju, além de outros municípios sergipanos e estados brasileiros. A operação foi coordenada pela Polícia Civil e contou com ações simultâneas para localizar e prender os envolvidos. 

Durante o cumprimento dos mandados, todos os alvos foram localizados, inclusive aqueles que estavam fora de Sergipe. As equipes também apreenderam celulares, notebooks, dinheiro em espécie, veículos — incluindo automóveis de luxo —, armas de fogo e munições, além de realizarem bloqueios de imóveis e contas bancárias ligadas ao grupo. 

As investigações tiveram início em dezembro de 2024, quando o líder da organização ainda estava no sistema prisional sergipano. Poucos dias depois, ele rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu, mesmo estando em prisão domiciliar para tratamento de saúde, o que chamou a atenção das autoridades para a estrutura do grupo. 

Segundo o diretor do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Dermival Eloi, a fuga evidenciou o alto poder logístico e operacional da organização criminosa. A partir desse momento, foi intensificado o trabalho de inteligência para mapear a atuação do grupo e identificar seus integrantes. 

Ainda conforme a polícia, o líder percorreu diversos estados brasileiros, passando por Sergipe, Bahia, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, até ser recapturado no Paraná, próximo à fronteira com o Paraguai. Após a prisão, ele foi transferido para o sistema penitenciário federal, onde permanece custodiado. 

As investigações também identificaram a participação de profissionais que auxiliavam a organização, incluindo advogada, médico e fisioterapeuta, que teriam fraudado documentos e laudos para favorecer integrantes do grupo em decisões judiciais, como concessões de prisão domiciliar. 

Outro ponto destacado foi a atuação de um agente público no esquema. Um policial civil foi identificado como responsável por fornecer informações sigilosas e até organizar escoltas para o líder da organização enquanto ele ainda estava em Sergipe.

Segundo a Polícia Civil, a principal atividade do grupo era o tráfico de entorpecentes, associado à prática de homicídios e à lavagem de dinheiro. O comando da organização foi assumido pelo atual líder após a morte de seus irmãos em confrontos policiais ocorridos em Sergipe e na Bahia. 

A Operação Pergaminho segue em andamento e novas diligências não estão descartadas.

Fonte: SSP/SE