Observatório do Clima contesta argumento ambiental usado pelos EUA para taxar produtos do Brasil

20/07/2026 às 18:38:17
Foto: Orlando K Junior/Divulgação

As justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil, entre elas a alegação de que o país permite o desmatamento, foram contestadas pelo secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini. Segundo ele, o argumento ambiental utilizado pelo governo do presidente Donald Trump não encontra respaldo nos dados sobre a redução do desmatamento no Brasil e serve como justificativa para a imposição de barreiras comerciais.

De acordo com Astrini, a medida adotada pelos Estados Unidos tem motivação política e não ambiental. O pesquisador afirma que o governo norte-americano utiliza o tema como argumento para restringir as exportações brasileiras, apesar de não adotar políticas ambientais semelhantes em seu próprio território.

"O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O governo Trump virou as costas para a questão ambiental no mundo inteiro. Saiu do Acordo de Paris", afirmou o secretário executivo do Observatório do Clima.

Ainda segundo o pesquisador, o Brasil avançou no combate ao desmatamento nos últimos anos, com destaque para o fortalecimento das ações de fiscalização realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), impulsionadas por recursos do Fundo Amazônia.

Dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), elaborado pelo MapBiomas, mostram que o país registrou, em 2025, menos de 1 milhão de hectares de vegetação nativa desmatada pela primeira vez desde 2019. Foram desmatados 984.794 hectares, uma redução de 20,6% em relação ao ano anterior.

"O Brasil atingiu em 2025 um marco no monitoramento do desmatamento: pela primeira vez desde 2019, a área total de vegetação nativa desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano", destaca o estudo do MapBiomas.

Apesar da redução nacional, o levantamento aponta que o Cerrado permaneceu como o bioma mais desmatado do país, com 540.614 hectares de vegetação suprimida, seguido pela Amazônia, que registrou 289.478 hectares desmatados. O Pantanal apresentou a maior redução proporcional, com queda de 48,4% em relação a 2024.

O estudo também mostra que a expansão da agropecuária continua sendo o principal fator associado à perda de vegetação nativa no Brasil. Nos últimos sete anos, esse setor respondeu por mais de 97% do desmatamento registrado, percentual que chegou a 99% em 2025. O levantamento ainda aponta concentração do desmatamento ligado ao garimpo na Amazônia e crescimento das áreas desmatadas em função da expansão urbana, principalmente no Cerrado e na Amazônia.

Segundo especialistas, os dados reforçam que, apesar dos avanços na redução do desmatamento, o país ainda enfrenta desafios para conter a pressão sobre os biomas brasileiros, enquanto a discussão sobre barreiras comerciais e questões ambientais ganha espaço nas relações internacionais.

Fonte: Agência Brasil