O “prato vazio” não foi surpresa: vice revela que Ricardo Marques e Coronel Rocha sempre souberam que não receberiam sequer uma “colher de feijão” da Nacional do PL

25/09/2026 às 13:59:41
Imagem gerada através do uso de inteligência artificial.

A entrevista de Érico Menezes (PL), candidato a vice na chapa de Ricardo Marques, ao Jornal da Fan, apresentado por Narcizo Machado, na Rádio Fan FM, nesta quinta-feira, 24, jogou uma boa dose de pimenta na crise envolvendo os recursos do PL em Sergipe. Segundo Érico, Ricardo e Coronel Rocha já sabiam que a direção nacional não colocaria recursos em suas campanhas. Em outras palavras: se o relato do vice estiver correto, o preço estava no cardápio antes mesmo de eles sentarem à mesa.

E não teria sido conversa de corredor. Érico relatou que Rodrigo Valadares deixou claro que, para Ricardo, o recurso da Nacional seria “zero” e que Rocha também conhecia as limitações. O vice afirmou ainda que Rodrigo foi transparente com Ricardo. Segundo seu relato, mesmo assim, foram discutidos R$ 300 mil do diretório estadual para a campanha ao Governo e R$ 200 mil para Rocha, que teria manifestado interesse no teto de R$ 3,1 milhões.

A fala mexe justamente numa ferida que Ricardo já havia exposto publicamente. No início de setembro, o candidato afirmou que entrou no projeto entendendo que teria estrutura, suporte logístico e apoio partidário e reclamou da condução de valores e da estrutura de campanha. Agora, quem aparece trazendo uma versão que favorece parte da narrativa de Rodrigo é justamente o vice de Ricardo.

E aqui entra uma ironia política difícil de ignorar. Ricardo já viveu um rompimento público com Emília Corrêa e, naquele episódio, afirmou que a ruptura não teria partido dele. Agora, no PL, protagoniza um novo desgaste, desta vez com Rodrigo Valadares, enquanto a divisão dos recursos ocupa o centro das reclamações. Só que Érico coloca um ingrediente novo nessa mesa: segundo ele, o “zero” não apareceu na hora de fechar a conta; já fazia parte do cardápio.

A repetição de conflitos com antigas lideranças políticas também abre espaço para outro questionamento. Primeiro veio o rompimento com Emília; agora, o embate é com Rodrigo. São episódios distintos e com circunstâncias próprias, mas a sequência permite uma pergunta: será que Ricardo tem sido sucessivamente alvo de incompreensões e “perseguições” políticas ou existe também, de sua parte, dificuldade em preservar a confiança e a relação com quem até pouco tempo estava ao seu lado?

Isso não impede Ricardo e Rocha de questionarem a divisão dos recursos. Os dados divulgados durante a campanha mostraram forte diferença nos repasses entre candidaturas do próprio PL, assunto legítimo para o debate político. Mas existe uma diferença entre reclamar do tamanho da fatia e dizer que não conhecia o cardápio. Se a versão apresentada por Érico estiver correta, Ricardo e Rocha entraram na disputa sabendo das limitações financeiras apresentadas pela direção partidária.

No popular, a conta é simples: Ricardo e Coronel Rocha sabiam que não haveria “almoço grátis”, mas sentaram à mesa esperando carona no banquete? E, no caso de Ricardo, depois de Emília e agora Rodrigo, fica outra pergunta: todos o “perseguem” ou é ele quem tem dificuldades em preservar a confiança de suas lideranças?