SUS e Einstein desenvolvem inteligência artificial para identificar doenças de pele

Uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Einstein Hospital Israelita desenvolveu um sistema de inteligência artificial para auxiliar profissionais da rede pública na triagem e identificação de doenças de pele. Batizada de CUTIS-AI, a ferramenta, divulgada em novembro de 2026, utiliza imagens de lesões e informações clínicas, epidemiológicas e sociodemográficas dos pacientes para apoiar o reconhecimento de diferentes enfermidades, especialmente na Atenção Primária à Saúde.
Entre as condições que podem ser identificadas pelo sistema estão esporotricose, leishmaniose cutânea, hanseníase, cromoblastomicose, lobomicose e tuberculose cutânea, além de lesões decorrentes de acidentes loxoscélicos, provocados pela picada da aranha-marrom. A tecnologia considera características da população brasileira para auxiliar os profissionais na identificação de doenças que podem representar desafios durante o atendimento.
O aplicativo que permite utilizar a inteligência artificial ainda está em fase de estudo e foi desenvolvido a partir de entrevistas com profissionais de saúde que atuam na atenção básica. Uma das funcionalidades é a possibilidade de utilização mesmo em localidades sem acesso à internet, o que amplia as possibilidades de uso em regiões com limitações de conectividade. Atualmente, a ferramenta apresenta uma taxa de acerto de aproximadamente 80%.
A proposta do CUTIS-AI é funcionar como instrumento de apoio à prática dos profissionais de saúde, sem substituir a avaliação clínica. A iniciativa busca ampliar a capacidade de identificação de doenças de pele, principalmente em regiões onde há menor disponibilidade de especialistas. Segundo a cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho, a construção de uma base de imagens é parte importante do desenvolvimento da tecnologia.
“O CUTIS-AI foi criado para ampliar a capacidade de identificação dessas doenças, que ainda podem representar um desafio para os profissionais de saúde, especialmente em regiões com menor disponibilidade de especialistas. Ao reunir imagens das lesões, estamos construindo uma base de dados robusta, que contribuirá para o desenvolvimento de uma tecnologia útil na ponta, principalmente para a Atenção Primária à Saúde”, destacou a cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho.
Até o momento, o estudo já analisou aproximadamente 1,4 mil pacientes e reúne mais de 4 mil imagens de lesões. A variedade de registros contribui para o treinamento da inteligência artificial com diferentes características de pele e manifestações das doenças. A diversidade dos dados é considerada importante para que o sistema seja desenvolvido considerando as particularidades da população brasileira.
“Quando falamos em inteligência artificial aplicada à saúde, a qualidade e a diversidade dos dados são fundamentais. Uma tecnologia desenvolvida a partir de uma população específica pode não apresentar o mesmo desempenho quando aplicada a outros grupos. Por isso, construir uma base brasileira, com diferentes fototipos de pele, regiões, condições de vida e perfis epidemiológicos é essencial” ressaltou o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior.
Fonte: Agência Brasil












