O sinal das urnas de onde os conhecem de perto: verde para Fábio em Boquim e alerta amarelo para Valmir em Itabaiana

Por Flavão Fraga
Se existe um bom termômetro para medir a força de um político, talvez seja a urna do lugar onde as pessoas mais o conhecem. E Boquim e Itabaiana deram sinais bem diferentes. Fábio Mitidieri nasceu em Aracaju, mas nunca escondeu que considera Boquim sua terra: é o berço de sua família, onde estão suas raízes e onde mantém uma relação afetiva e política reforçada pelas ações do seu governo. A resposta foi contundente: 10.903 votos, ou 69,49%, contra 29,22% de Valmir. Em Boquim, o sinal ficou verde para Fábio.
Em Itabaiana, o semáforo político apresentou outra cor. Foi ali que Valmir de Francisquinho construiu sua maior fortaleza, governou por três mandatos e de onde saiu propagando uma aprovação popular de 80%. Embalado pelo resultado de 2022, quando terminou à frente mesmo com a candidatura barrada, passou os últimos anos sustentando que venceria novamente a eleição para governador. A narrativa caiu por terra. Além de sofrer a maior derrota da história em uma disputa pelo Governo de Sergipe, Valmir ficou com 57,45% em Itabaiana, enquanto Fábio chegou a expressivos 41,04%. Para quem vendia a imagem de domínio quase absoluto, o sinal amarelo acendeu dentro de casa.
É claro que aprovação administrativa não é a mesma coisa que voto e seria precipitado afirmar que Valmir deixou de ser uma liderança forte em Itabaiana. Continua sendo. Mas urna não trabalha com discurso: trabalha com números. E os números mostram Fábio beirando os 70% onde suas raízes são conhecidas de perto, enquanto mais de quatro em cada dez eleitores da principal fortaleza de Valmir escolheram justamente o governador que ele dizia que derrotaria.
O recado, portanto, parece simples: sinal verde para Fábio em Boquim e sinal amarelo para Valmir em Itabaiana. Depois de três mandatos, do propagado índice de 80% de aprovação e da promessa de vencer Sergipe novamente, chegar a 57,45% dentro de casa não apaga sua liderança, mas permite questionar seu tamanho atual. Valmir ainda manda muito na política serrana, mas as urnas de 2026 avisaram que talvez já não mande tanto quanto seu próprio discurso faz parecer.












