O pós-elegibilidade de Valmir: Emília comemora a redução do seu protagonismo político?

Após a decisão liminar de um ministro do STJ que devolveu ao prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, a condição de elegibilidade — até que haja o trânsito em julgado do processo no qual ainda responde por improbidade administrativa —, a política sergipana entra em um novo momento. As mudanças não impactam apenas o grupo governista, como também provocam alterações relevantes na configuração interna do próprio campo de oposição ao governo Fábio Mitidieri.
Além da tendência de Mitidieri ter de enfrentar um adversário mais competitivo em seu projeto de reeleição, a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, passa a encarar um cenário bem menos confortável. Até então, Emília se via praticamente sozinha no controle e na liderança do bloco oposicionista para as eleições de 2026, tentando inclusive relegar Valmir de Francisquinho a um papel secundário, quase figurativo, sob sua condução política. Com o retorno do líder itabaianense ao centro do debate eleitoral, Emília terá de aceitar a reocupação desse espaço por Valmir, o que tende a ofuscar o protagonismo que ela buscava imprimir também no plano estadual.
Na ausência de Valmir na disputa, o brilho político da prefeita da maior cidade de Sergipe naturalmente reluziria com mais intensidade. Agora, com o “filho de Francisquinho” novamente no jogo, os holofotes passam a se concentrar sobre ele, empurrando Emília para um segundo plano no tabuleiro político de 2026.
Nesse novo cenário, analistas avaliam que Emília Corrêa não deverá permanecer tão confortável quanto antes. A leitura predominante é de que o projeto original da prefeita seria lançar um nome ao governo apenas para marcar posição, sem grande ambição eleitoral, priorizando a manutenção da governabilidade em Aracaju por meio do apoio de vereadores ligados às bases de Fábio Mitidieri e André Moura. O foco principal estaria em sua reeleição à Prefeitura de Aracaju em 2028, deixando qualquer pretensão ao governo do Estado para 2030 — e ainda assim condicionada ao sucesso desse planejamento.
Com a recuperação da elegibilidade de Valmir, além de Mitidieri ganhar um adversário mais robusto, Emília passa a conviver com um concorrente indesejado dentro da própria oposição. O apoio a uma eventual candidatura de Valmir pode gerar complicações imediatas para a governabilidade da prefeita na Câmara Municipal, sobretudo diante da radicalização política que a disputa tende a provocar no bloco liderado por Fábio e André. Mais do que isso, uma eventual vitória de Valmir em 2026 praticamente eliminaria qualquer possibilidade de Emília Corrêa liderar uma candidatura ao governo em 2030, já que, com Valmir à frente da máquina estadual, não haveria espaço político para seus voos mais altos.
Diante disso, os recentes gritos de comemoração de Emília, em entrevista após um evento da Prefeitura de Aracaju, aparentemente celebrando a recuperação da elegibilidade de Valmir de Francisquinho, foram genuínos? Ou teriam servido apenas para camuflar um desfecho que não era indesejado apenas pelo governador, mas também pela prefeita da capital, que igualmente pode sofrer impactos negativos dessa reviravolta jurídica?
Vale lembrar que Valmir e Emília não vêm mantendo uma convivência tão cordial desde as eleições de 2022, quando Valmir seguiu com uma candidatura impugnada até o final da disputa, sem confiar a Emília a substituição de sua candidatura pelo nome dela — movimento que poderia ter levado à vitória da oposição, caso essa decisão tivesse sido tomada. Soma-se a isso o fato de que recentes declarações de Valmir, acusando a prefeita de Aracaju de tê-lo “escanteado” no jogo político de 2026, podem resultar em futuros revides. Especialmente agora, quando Valmir retorna ao cenário com força política e jurídica, disposto a ajustar contas com quem, segundo ele, virou as costas enquanto esteve inelegível.











