Lula avalia criação de Ministério da Comunicação Digital para ampliar atuação do governo nas redes

03/11/2026 às 16:40:06
Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia criar um Ministério da Comunicação Digital para fortalecer a presença do governo nas redes sociais e ampliar a atuação na regulação das plataformas digitais. A proposta está em discussão dentro do Executivo e integra uma possível reestruturação da comunicação para o próximo mandato. Apesar das articulações, ainda não há decisão sobre a criação da nova pasta ou sobre o formato que ela deverá assumir.

A iniciativa busca dar maior protagonismo à comunicação digital na estrutura governamental, especialmente diante da influência das redes sociais no debate público e nos processos eleitorais. Segundo interlocutores ouvidos pela CNN Brasil, Lula já sinalizou a auxiliares que a próxima gestão precisará investir mais nesse campo. A criação de um ministério próprio é uma das alternativas consideradas para concretizar a mudança.

Como parte das discussões, o presidente convidou o deputado federal André Janones (Rede-MG) para um almoço no Palácio da Alvorada, na quinta-feira (29 de outubro). O encontro teve como objetivo ouvir as sugestões do parlamentar e iniciar a construção de uma nova estratégia para a comunicação digital do governo. Janones é apontado por Lula como um dos principais conselheiros no assunto, em razão de sua atuação na mobilização de apoiadores durante a campanha eleitoral.

Durante a conversa, os dois discutiram possibilidades para reformular a área, mas deixaram para um próximo encontro a definição sobre eventual participação do deputado na nova estrutura. Janones, por sua vez, tem afirmado que não pretende assumir um ministério e que deseja continuar exercendo seu mandato na Câmara dos Deputados. Uma nova reunião entre o parlamentar e o presidente deverá ocorrer nos próximos dias.

Outro ponto considerado estratégico pelo governo é a manutenção do chamado “Exército do Lula”, movimento de mobilização digital coordenado por Janones. O canal de WhatsApp associado ao grupo reúne mais de 10 milhões de integrantes e poderá continuar sendo utilizado para organizar apoiadores, ampliar a circulação de mensagens nas redes sociais e pressionar parlamentares durante a tramitação de pautas consideradas prioritárias pelo Executivo.

Entre os assuntos que podem mobilizar essa estrutura está a proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1. Integrantes do entorno presidencial avaliam que a mobilização popular em torno do tema contribuiu para impulsionar sua tramitação no Congresso Nacional. A estratégia também ganha relevância diante da expectativa de uma bancada de direita mais numerosa na próxima legislatura, cenário que pode dificultar a articulação política do governo.

A regulamentação das redes sociais e das grandes empresas de tecnologia também aparece entre as prioridades da possível reestruturação. No primeiro discurso após a vitória eleitoral, Lula voltou a defender regras para as plataformas digitais e argumentou que crimes praticados no ambiente virtual devem receber tratamento semelhante aos cometidos fora da internet. A discussão sobre o tema, entretanto, enfrenta dificuldades para avançar no Congresso Nacional.

As propostas também estão presentes no plano de governo apresentado durante a campanha eleitoral. O documento defende uma regulação democrática das redes sociais e plataformas digitais, com o objetivo de combater a desinformação, as campanhas de ódio e práticas consideradas prejudiciais à democracia. O programa ainda prevê a criação de uma Política Nacional de Letramento Digital, voltada à capacitação dos cidadãos para o uso crítico da internet, e de um Conselho Nacional pela Soberania Digital, com participação da sociedade.

A eventual criação do Ministério da Comunicação Digital representaria, portanto, uma mudança na organização da comunicação governamental e na estratégia de relacionamento do Executivo com a população. Além de ampliar a presença institucional nas plataformas, a nova estrutura poderá concentrar iniciativas relacionadas à comunicação digital e à regulação das empresas de tecnologia. Até o momento, contudo, Lula ainda não definiu se adotará o modelo ministerial nem quem ficará responsável pela área.

Fonte: CNN