Huse realiza transplante ósseo inédito e avança no tratamento de câncer infantil em Sergipe

Um procedimento inédito realizado no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) colocou Sergipe em destaque no tratamento de câncer infantil. A unidade realizou, pela primeira vez, um transplante ósseo microcirúrgico em uma criança de 9 anos diagnosticada com sarcoma de Ewing, um tipo raro e agressivo de tumor ósseo. A cirurgia, que durou cerca de 12 horas, foi feita em Aracaju e teve como principal objetivo evitar a amputação do membro afetado, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, o procedimento foi conduzido por equipes especializadas em oncologia ortopédica e microcirurgia reconstrutiva, evidenciando a capacidade técnica e a integração multiprofissional do hospital. A intervenção é considerada de alta complexidade e marca um avanço significativo na assistência oncológica pediátrica no estado.
O médico ortopedista Adonai Barreto destacou o diferencial da técnica adotada. “Enquanto em décadas passadas o tratamento para tumores desse porte frequentemente resultava na perda do membro, a técnica microcirúrgica foca na preservação. Esse tipo de abordagem visa o tratamento do câncer com a preservação do membro acometido, ou seja, evitar a amputação e garantir qualidade de vida ao paciente”, afirmou.
Segundo o especialista, a realização do transplante insere Sergipe no patamar nacional de intervenções oncológicas de ponta na rede pública. A técnica representa uma alternativa mais avançada para casos graves, sobretudo em pacientes pediátricos, ampliando as possibilidades de tratamento e recuperação.
O procedimento foi realizado em duas etapas. Inicialmente, houve a retirada do tumor localizado na tíbia da perna esquerda da criança. Em seguida, os médicos utilizaram parte da fíbula da perna direita da própria paciente para reconstruir o osso comprometido, por meio de técnica microcirúrgica.
O médico Alex Franco explicou a complexidade da técnica empregada. “A técnica de microcirurgia é utilizada para transportar a pele, os músculos, ossos, de um lugar do paciente para o outro para fazer alguma reconstrução. É uma técnica muito complexa, usamos microscópio, em que precisamos restaurar, inclusive, os vasos sanguíneos para manter a circulação, seja ela da pele, do músculo e osso. Isso é um grande avanço porque conseguimos reconstruir demandas maiores e mais graves dos pacientes”.
Para os especialistas, o procedimento representa não apenas o tratamento da doença, mas também a preservação da integridade física e do desenvolvimento motor da criança. A iniciativa reforça o papel do Huse como referência em alta complexidade e evidencia avanços na saúde pública sergipana, especialmente no cuidado com pacientes pediátricos.
Fonte: Governo de Sergipe











