Huse realiza procedimento inédito para tratar trombose venosa profunda na rede pública

24/04/2026 às 18:22:18
Foto: Feliupe Goettenauer

O Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), por meio do Centro de Hemodinâmica Dr. José Augusto Soares Barreto, realizou pela primeira vez na rede pública estadual um procedimento endovascular avançado para tratar trombose venosa profunda (TVP) associada à síndrome de Cockett. A técnica, minimamente invasiva, foi aplicada em uma paciente com quadro agudo e extenso da doença e representa um avanço na assistência vascular oferecida pela unidade, com o objetivo de melhorar a recuperação e reduzir complicações.

Após a confirmação do diagnóstico por exames de imagem, a equipe médica realizou uma trombectomia venosa mecânica percutânea associada ao implante de stent. Segundo o cirurgião vascular João Chaves, “A abordagem endovascular permite a remoção ativa do trombo, seguido de angioplastia e implante de stent autoexpansível na veia ilíaca esquerda para corrigir definitivamente a compressão da síndrome de Cockett”.

De acordo com o especialista, a síndrome de Cockett é uma condição anatômica relativamente comum, caracterizada pela compressão da veia ilíaca esquerda pela artéria ilíaca direita. O quadro se torna mais grave quando evolui para trombose extensa. “Quando a abordagem endovascular é realizada na fase aguda, conseguimos restaurar o fluxo venoso, preservar a função das válvulas venosas e reduzir significativamente o risco de sequelas crônicas”, acrescentou.

O médico também ressaltou a importância do tempo no tratamento. “Existe, realmente, uma janela de tempo ideal. O procedimento endovascular deve ser realizado preferencialmente dentro dos primeiros 14 dias do início dos sintomas. Com o passar do tempo, o trombo se torna fibroso, aderente à parede venosa e rico em colágeno, o que dificulta a remoção completa e reduz a eficácia do tratamento”, explicou.

Com a adoção da técnica, o Centro de Hemodinâmica amplia sua capacidade de atendimento em casos vasculares complexos. Segundo João Chaves, o método evita cirurgias abertas de grande porte, reduz riscos de sangramento, diminui o tempo de internação e apresenta resultados superiores em relação a outros tratamentos tradicionais.

A aposentada Terezinha Francisca de Souza, moradora de Heliópolis (BA), foi a primeira paciente submetida ao procedimento no Huse. “A perna começou a doer muito, cheguei em casa me arrastando. Passei por atendimento na minha cidade até ser encaminhada para uma unidade hospitalar, receber o diagnóstico e ser transferida para o Huse”, contou. Após a intervenção, ela destacou a assistência recebida: “Deu tudo certo, graças a Deus. Gostei bastante da assistência, melhor impossível. Todos são excelentes profissionais. Não tenho nada a reclamar. Agora, quero voltar para casa e cuidar dos meus netos. Estou muito feliz”.