Hilda fica fora da Alese não por falta de votos, mas por erro de cálculo na escolha partidária; história mostra que insucesso estadual não é “sentença de morte” na disputa local

Por Flavão Fraga
Hilda Ribeiro não conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Sergipe nas eleições de 2026. O fato é incontestável. Mas uma análise mais cuidadosa dos números mostra que o resultado está longe de representar o enfraquecimento político da ex-prefeita de Lagarto. Pelo contrário: mesmo sem o mandato, Hilda saiu das urnas com uma votação expressiva no estado e, principalmente, reafirmando sua força eleitoral dentro do município.
Com 28.706 votos, Hilda terminou como a 15ª candidata mais votada de Sergipe entre todos os concorrentes a deputado estadual, independentemente de terem sido eleitos ou não. Ainda assim, ficou fora das 24 cadeiras da Alese.
Há um dado que ajuda a explicar o tamanho da distorção entre votação nominal e resultado final: Hilda teve mais votos que dez candidatos que foram eleitos deputados estaduais. Ou seja, não foi a ausência de votos que impediu sua chegada à Assembleia.
O resultado evidencia o peso da escolha partidária em uma eleição proporcional. A opção pela legenda terminou se mostrando um erro de cálculo político, já que uma candidata posicionada em 15º lugar no ranking geral de votos acabou sem mandato numa Assembleia composta por 24 deputados.
Um comparativo reforça essa leitura. Pato Maravilha, eleito pelo União Brasil, recebeu 29.624 votos, enquanto Hilda chegou a 28.706. A diferença foi de apenas 918 votos. Naturalmente, isso não significa que esses votos isoladamente garantiriam sua eleição, porque as cadeiras são distribuídas conforme as regras do sistema proporcional. Mas demonstra que Hilda esteve eleitoralmente no mesmo patamar de nomes que conquistaram mandato.
As urnas de Lagarto dizem muito
Se o resultado estadual deixou Hilda sem mandato, as urnas de Lagarto produziram uma mensagem política diferente.
No município, Hilda Ribeiro recebeu 15.194 votos, contra 14.215 de Ibrain de Valmir. Uma vantagem de 979 votos para a ex-prefeita.
Esse talvez seja o número mais importante para compreender o futuro político de Hilda.
Ibrain contou com o apoio do grupo que atualmente comanda a Prefeitura de Lagarto e com a força política da máquina municipal. Havia, portanto, uma disputa particular dentro da própria eleição estadual: saber quem conseguiria demonstrar maior força eleitoral no município.
Hilda venceu essa disputa.
Mesmo fora da Prefeitura e enfrentando um candidato sustentado pelo atual grupo governista, a ex-prefeita terminou como a mais votada entre os dois. O resultado mostra que sua base eleitoral permanece sólida e que seu nome continua ocupando espaço central na política lagartense.
A história recente recomenda cautela aos adversários
É justamente por isso que os adversários que comemoram a ausência de Hilda na próxima legislatura deveriam observar a própria história política recente de Lagarto.
Insucesso numa eleição estadual não significa “sentença de morte” numa eleição municipal.
O exemplo está hoje sentado na cadeira de prefeito.
Sérgio Reis disputou uma vaga de deputado estadual em 2022 e não conseguiu se eleger. Dois anos depois, em 2024, voltou às urnas numa eleição de natureza completamente diferente e foi eleito prefeito de Lagarto.
A trajetória demonstra algo básico da política: eleições não são fotografias permanentes. Uma disputa estadual envolve território, chapa, legenda, estrutura e dinâmica eleitoral diferentes de uma eleição municipal. Perder uma não significa necessariamente estar derrotado na outra.
E Hilda chega ao pós-eleição de 2026 com um elemento importante a seu favor: mesmo sem conquistar o mandato estadual, venceu nas urnas de Lagarto o confronto com o candidato apoiado pela atual administração municipal.
Isso não significa afirmar, dois anos antes, que Hilda será candidata ou que vencerá a eleição de 2028. Política não permite esse tipo de antecipação. Até lá, a população avaliará a administração de Sérgio Reis, e deverão acontecer inúmeras movimentações políticas.












