Flávio Bolsonaro chega a Miami após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina

28/10/2026 às 16:16:24
Foto: Ricardo Arduengo/AFP

O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou a Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28), acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas, após deixar o Brasil por via terrestre, atravessar a fronteira com a Argentina e embarcar em um avião particular com escala no Equador. A viagem ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o parlamentar entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) e não deixasse o país. 

A rota até os Estados Unidos

Segundo informações publicadas pelo UOL, Flávio saiu de Brasília com destino a Foz do Iguaçu, no Paraná, em um deslocamento terrestre de aproximadamente 1.600 quilômetros. De lá, seguiu de van até Puerto Iguazú, na Argentina, acompanhado da esposa e das filhas. A Direção Nacional de Migrações argentina confirmou que os quatro ingressaram no país às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, com documentos de viagem válidos e sem impedimentos legais para entrar em território argentino. 

Às 23h30, segundo o comunicado oficial argentino, a família embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil, no Equador. A aeronave utilizada foi um Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW. Durante a escala equatoriana, o plano de voo foi atualizado para Miami, onde o avião pousou às 10h23, no horário de Brasília, conforme registros de monitoramento aéreo e reportagens da imprensa. 

A operação chamou a atenção da imprensa argentina devido à movimentação incomum no aeroporto de Puerto Iguazú. Canais de televisão locais acompanharam a chegada de veículos e a circulação de agentes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA). O UOL informou que Santiago Caputo, estrategista do presidente argentino Javier Milei, esteve envolvido na recepção do senador e no acompanhamento do deslocamento até o aeroporto. A extensão do envolvimento de integrantes do governo argentino na organização da viagem, porém, não foi esclarecida integralmente pelas autoridades. 

A saída ocorreu depois que Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio à Polícia Federal. Segundo a imprensa, a ordem foi comunicada ao senador na segunda-feira (26), quando ele visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na quarta-feira (28), a PF informou que não havia registro da saída do parlamentar pelos postos de controle migratório brasileiros e que investigava as circunstâncias do descumprimento das determinações judiciais.

O que disseram os governos americano e argentino

Em comunicado, a Direção Nacional de Migrações da Argentina afirmou que Flávio, a esposa e as filhas entraram no país com documentação válida e sem impedimentos legais. O órgão também confirmou o embarque em voo privado para Guayaquil, conforme o plano de voo apresentado às autoridades. A nota não mencionou eventual participação política na organização da viagem nem esclareceu as circunstâncias relacionadas à determinação judicial brasileira. 

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump declarou, na terça-feira (27), que não se oporia à entrada do senador no país. “Acho que são pessoas decentes. As eleições foram realmente estranhas. Por mim, tudo bem [a entrada do senador nos EUA]”, afirmou o republicano, segundo as informações divulgadas pela imprensa. A declaração ocorreu enquanto Flávio e a família ainda estavam em deslocamento para os Estados Unidos. 

A chegada a Miami também foi confirmada por veículos de comunicação brasileiros e por registros da aeronave. O senador desembarcou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, após o trajeto iniciado na Argentina e a escala no Equador. Segundo informações divulgadas pelo UOL, fontes do governo americano indicaram que a família receberia vistos para permanecer no país. 

A viagem ocorre em meio a investigações envolvendo o senador. Flávio é investigado em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado Willer Tomaz e a movimentações financeiras envolvendo empresas e plataformas de apostas. Ele também é alvo de investigação no STF sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades e afirma que o projeto utiliza recursos privados obtidos legalmente.

O descumprimento da determinação judicial poderá levar à análise de novas medidas pelo STF. A Polícia Federal deverá informar ao ministro Alexandre de Moraes as circunstâncias da saída do senador, e uma eventual prisão dependerá de decisão judicial fundamentada nos requisitos previstos em lei. A saída do país, por si só, não determina automaticamente a prisão do parlamentar. 

A viagem também pode ampliar as tensões diplomáticas entre Brasil, Argentina e Estados Unidos, diante das relações políticas entre Milei, Trump e integrantes da família Bolsonaro. Até o momento, as informações oficiais confirmam a entrada de Flávio na Argentina e seu embarque para o Equador, enquanto a PF brasileira investiga o descumprimento da ordem judicial. O alcance de eventuais consequências jurídicas e diplomáticas dependerá dos desdobramentos das apurações e das manifestações das autoridades envolvidas.

Fonte: UOL