EUA reclassificam maconha medicinal e facilitam pesquisas científicas

23/04/2026 às 18:17:24
Foto: Pixabay

O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, assinou nesta quinta-feira (23) uma ordem que reclassifica a maconha medicinal licenciada pelo estado como uma droga menos perigosa. A medida, anunciada no país, altera uma política vigente há décadas e busca facilitar pesquisas científicas sobre os potenciais benefícios terapêuticos da substância, além de ampliar o acesso a tratamentos médicos.

Com a decisão, a maconha medicinal deixa a Lista I (que inclui drogas consideradas altamente restritas, como heroína e ecstasy) e passa a integrar a Lista III, categoria que reúne medicamentos prescritos, como cetamina e Tylenol com codeína. Apesar da mudança, a ordem não legaliza o uso recreativo da substância em nível federal, mantendo restrições nesse aspecto.

A nova classificação também prevê incentivos como isenção fiscal para vendedores licenciados e flexibilização de regras para pesquisas científicas. Em publicação nas redes sociais, Blanche afirmou: “Essas ações permitirão pesquisas mais direcionadas e rigorosas sobre a segurança e a eficácia da maconha, ampliando o acesso dos pacientes aos tratamentos e capacitando os médicos a tomarem decisões de saúde mais bem informadas”.

A Drug Enforcement Administration (DEA) ainda deverá conduzir audiências administrativas para discutir uma reclassificação mais ampla da maconha. Tentativas semelhantes já haviam sido feitas por administrações anteriores, incluindo a do ex-presidente Joe Biden, mas não chegaram a ser concluídas.

O tema voltou à pauta após o presidente Donald Trump determinar, por ordem executiva, a aceleração do processo. Mesmo assim, o avanço enfrentou atrasos e críticas, tanto de setores que defendem a flexibilização quanto de opositores. A organização Smart Approaches to Marijuana informou que pretende contestar judicialmente a medida, alegando riscos associados ao possível incentivo ao uso recreativo.

Apesar das divergências, a flexibilização das regras tem apoio relevante da população. Pesquisa do Pew Research Center, realizada em 2024, aponta que quase seis em cada dez americanos são favoráveis à legalização da cannabis para uso recreativo. Representantes do setor também comemoraram a decisão, como Kim Rivers, CEO da Trulieve, que destacou o cumprimento de promessas relacionadas à reclassificação da substância.

Fonte: CNN