Enquanto vereador Kaique Freire se destaca nas urnas, prefeito de Estância fracassa na transferência de votos

07/10/2026 às 17:40:35
Imagem gerada por meio do uso de inteligência artificial.

As urnas de 2026 deixaram um recado incômodo para o prefeito André Graça. Seu grupo entrou na eleição com a força política de quem comanda a Prefeitura de Estância, mas saiu dela com Dr. Gilson Andrade derrotado e Gustinho Ribeiro passando sufoco para preservar o mandato federal.
Gilson foi a primeira vítima.
E basta olhar para a história eleitoral dele em Estância para entender o tamanho do resultado. Em 2010, quando Ivan Leite era prefeito e seu aliado, Gilson conseguiu 11.475 votos para deputado estadual. Em 2014, mesmo enfrentando uma Prefeitura comandada pelo adversário Carlos Magno, cresceu para impressionantes 13.876 votos.
Agora, justamente quando tinha um aliado e sucessor político sentado na cadeira de prefeito, Gilson despencou para 6.350 votos e não conseguiu retornar à Assembleia Legislativa.
É uma comparação politicamente constrangedora para a gestão.
Gilson já mostrou que conseguia chegar perto dos 14 mil votos em Estância até mesmo com a Prefeitura contra ele. Agora, com a Prefeitura ao seu lado, não conseguiu sequer alcançar a metade daquela votação.
E os votos fizeram falta.
Mas André Graça quase viu as urnas produzirem uma segunda vítima.
Gustinho Ribeiro conseguiu apenas 3.299 votos em Estância, um dos municípios importantes de sua base política. No resultado estadual, terminou com 58.289 votos e foi eleito por média, como o terceiro nome da União Progressista a conquistar uma cadeira.
Por isso, na minha avaliação, o resultado decepcionante obtido justamente em Estância pelo deputado federal Gustinho Ribeiro certamente colaborou, e muito, para que uma eleição que se imaginava tranquila terminasse transformada em um certo desconforto diante das expectativas do parlamentar.
E é justamente aí que Estância pesa nessa conta.
Gustinho mantém uma relação política e de investimentos com o município. Ao longo dos últimos anos, destinou milhões em recursos e emendas para Estância e construiu uma parceria política com o grupo que hoje comanda a Prefeitura.
Existe, portanto, uma pergunta política que André Graça precisa responder: como um deputado que destinou milhões para Estância, contou com o apoio do prefeito e de sua estrutura política terminou com apenas 3.299 votos no município?
E o contraste fica ainda mais evidente quando aparece Kaique Freire nessa história.
Estamos falando de um vereador. Presidente da Câmara, é verdade, mas vereador. Não é chefe do Executivo, não comanda a Prefeitura e não dispõe de uma estrutura administrativa comparável àquela que está à disposição do grupo político de André Graça.
Mesmo assim, os números alcançados pelos candidatos apoiados por Kaique chamaram atenção.
Seu candidato a deputado estadual, Jorginho Araújo, conseguiu 3.005 votos, ficando em segundo lugar em Estância.
Para deputado federal, a comparação é ainda mais emblemática.
Cláudio Mitidieri, apoiado por Kaique, conseguiu 3.992 votos. Gustinho Ribeiro, apoiado pelo prefeito André Graça, ficou em 3.299.
Cláudio abriu 693 votos de vantagem sobre Gustinho dentro de Estância.
É difícil olhar para esses números e ignorar o recado produzido pelas urnas. Na minha leitura, o resultado expõe uma fragilidade política da atual gestão e coloca em discussão a capacidade de André Graça de liderar seu próprio grupo e transformar a força institucional da Prefeitura em resultado eleitoral.
De um lado estava o prefeito, seu grupo, seus aliados e toda a força política decorrente do comando da administração municipal.
Do outro estava um vereador.
E, mesmo sem dispor de estrutura comparável, Kaique conseguiu produzir resultados expressivos para seus candidatos e sair das urnas politicamente fortalecido.
O contraste é pesado para André Graça.
Enquanto o prefeito viu seu principal candidato a deputado estadual perder a eleição e seu candidato a federal passar sufoco para manter o mandato, Kaique colocou Jorginho como o segundo estadual mais votado de Estância e fez Cláudio Mitidieri superar o próprio Gustinho dentro do município.
Na minha avaliação, as urnas mostram que Kaique deixou de ser apenas um vereador que incomoda a administração para ocupar um espaço próprio no tabuleiro político de Estância.
E talvez esteja justamente aí o maior problema para André Graça.
Enquanto uma nova liderança começa a demonstrar força através das urnas, a gestão municipal transmite, para seus críticos, a imagem de permanecer encastelada no conforto do poder, cercada por aliados que preferem os elogios à autocrítica, sem perceber o tamanho do recado que o eleitor acabou de mandar.
A eleição passou.
Gilson perdeu. Gustinho quase perdeu — não por culpa deles, mas, na minha avaliação, pelo desempenho da gestão que os apoiou em Estância. Enquanto isso, Kaique cresceu.
E André Graça terá de decidir se prefere compreender o recado das urnas ou continuar fingindo que ele não foi dado.


Por Flavão Fraga