Doação de órgãos no Huse leva esperança a pacientes de quatro estados

Um gesto de solidariedade transformou a dor de uma perda em novas oportunidades de vida nesta sexta-feira, 6, no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). A terceira captação de órgãos realizada na unidade em 2026 foi possível após a autorização da família de um jovem de 22 anos, vítima de um grave acidente de motocicleta ocorrido no município de Lagarto, no centro-sul sergipano.
O paciente deu entrada no hospital em estado crítico, com traumatismo cranioencefálico grave. Mesmo com todos os esforços da equipe multiprofissional, a morte encefálica foi confirmada após a conclusão do protocolo médico. Em um momento de profundo luto, a família optou por autorizar a doação de órgãos.
Foram captados fígado, rins e córneas. O fígado foi encaminhado para o Ceará; o rim direito seguiu para o Rio Grande do Norte; e o rim esquerdo foi destinado a Pernambuco, onde será transplantado em um paciente sergipano que aguardava compatibilidade na fila de espera. As córneas permaneceram em Sergipe e foram encaminhadas ao Banco de Olhos, onde passarão por avaliação e preparo antes de serem distribuídas conforme a fila única estadual, possibilitando que dois pacientes recuperem a visão.
A decisão da família ultrapassou fronteiras e beneficiou pessoas que dependiam exclusivamente do transplante para continuar vivendo.
Atuação da Organização de Procura de Órgãos
A coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO), Darcyana Lisboa, ressaltou que a doação vai além de um procedimento técnico. Segundo ela, trata-se de um ato de solidariedade capaz de impactar diversas famílias. “Nosso trabalho começa na identificação do possível doador, passa pelo acompanhamento clínico e, principalmente, pelo acolhimento da família em um momento extremamente delicado. Após a autorização, a Central Estadual de Transplantes organiza toda a logística para que os órgãos cheguem com agilidade a quem precisa”, explicou.
O médico cirurgião geral da equipe da OPO, Rafael Tavares, também destacou o avanço do serviço em Sergipe. Para ele, cada captação representa um avanço para a saúde pública e para os pacientes que aguardam na fila de transplantes. “Temos observado um crescimento no número de doações, resultado da capacitação das equipes, da organização do serviço e da maior conscientização da população”, afirmou.
A captação envolveu uma força-tarefa entre profissionais do Huse, da OPO, da Central Estadual de Transplantes e equipes de outros estados, reforçando a integração e a capacidade técnica da rede de saúde.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) e a Central Estadual de Transplantes (CET) reforçam que a doação de órgãos só acontece com a autorização da família. Por isso, orientar os familiares ainda em vida sobre o desejo de ser doador é fundamental. Um simples “sim” pode transformar a dor em solidariedade e oferecer um recomeço a quem aguarda por uma nova chance
Com informações do Governo de Sergipe











