Conflito no Irã acende alerta no agronegócio brasileiro

05/03/2026 às 16:36:14
Foto: Adriano Machado

A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo principalmente Irã, Israel e os Estados Unidos, tem acendido um alerta no setor do agronegócio brasileiro. Especialistas apontam que a instabilidade na região pode impactar diretamente a exportação de grãos e o abastecimento de fertilizantes no Brasil, já que o Oriente Médio é um importante parceiro comercial do país. A tensão militar e os ataques registrados nas últimas semanas ampliaram as preocupações de produtores e exportadores sobre possíveis interrupções nas rotas marítimas internacionais. 

De acordo com analistas de mercado, o risco maior está relacionado ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo e mercadorias do mundo. Caso o fluxo de navios seja interrompido ou limitado, o transporte de grãos e insumos agrícolas pode ser prejudicado. Dados apontam que cerca de dez navios carregados com mais de 600 mil toneladas de soja e farelo de soja brasileiros estavam programados para seguir rumo ao Irã, o que pode sofrer alterações dependendo da evolução do conflito. 

Outra preocupação envolve o fornecimento de fertilizantes utilizados na produção agrícola. Países do Oriente Médio, incluindo o Irã, são importantes produtores de insumos como a ureia, fundamental para o cultivo de diversas culturas no Brasil. Com o agravamento da crise e o aumento do risco nas rotas marítimas, especialistas apontam que os custos de transporte e seguro de cargas podem subir, impactando diretamente o preço final da produção agrícola brasileira. 

Além disso, o Irã tem papel relevante no comércio internacional de grãos brasileiros. Em 2025, o país foi o principal destino das exportações de milho do Brasil, com cerca de 9 milhões de toneladas compradas, o que representa aproximadamente 20% dos embarques do produto. Diante desse cenário, exportadores avaliam alternativas logísticas, como o desembarque de cargas em outros países da região para posterior transporte terrestre, caso o conflito dificulte o acesso direto ao mercado iraniano. 

Fonte: CNN Brasil