Concurso Barco de Fogo: Estância, a capital dos barcos de fogo, viveu uma noite marcada pelo improviso, falta de planejamento e desprezo a tradição cultural

Estância, reconhecida como a Capital Brasileira dos Barcos de Fogo, viveu uma noite que deveria celebrar uma de suas maiores tradições culturais, mas acabou marcada por problemas de organização, improviso e falhas de planejamento durante o concurso "Melhor Fogo", realizado nesta terça-feira (30), para a escolha do melhor barco de fogo.
O evento reuniu diversos barcos participantes. Apenas os primeiros conseguiram realizar suas apresentações dentro do horário previsto. No entanto, durante a sexta apresentação, ocorreu o rompimento do arame utilizado na passagem dos barcos, provocando uma interrupção que alterou toda a programação e atrasou a sequência das exibições.
A situação evidenciou a ausência de uma estrutura preventiva para um problema que poderia ter sido previsto pela organização. Os barcos de fogo utilizados no concurso possuem peso muito superior ao dos modelos tradicionais, exigindo planejamento e medidas de contingência para evitar que uma falha técnica comprometesse o andamento do espetáculo.
Durante a paralisação provocada pelos problemas técnicos, a organização também foi alvo de críticas por não inserir uma atração de maior porte para manter o público no Forródromo Municipal enquanto os reparos eram realizados. A ausência de uma programação alternativa contribuiu para o esvaziamento do evento. Com a demora na retomada das apresentações, centenas de pessoas deixaram o local, fazendo com que os demais barcos se apresentassem diante de um público bastante reduzido. A cerimônia de premiação também foi prejudicada pelo esvaziamento, inclusive afetando a iniciativa de um comerciante local, que doou uma motocicleta zero quilômetro como prêmio ao vencedor do concurso.
Outro ponto que chamou a atenção foi o espaço reservado ao principal símbolo cultural de Estância na programação oficial dos festejos juninos. Mesmo sendo a maior representação da identidade cultural estanciana e uma manifestação reconhecida nacionalmente, o concurso dos barcos de fogo foi programado apenas para o último dia da programação junina. Para muitos participantes e admiradores da tradição, a decisão transmitiu a impressão de que o evento não recebeu a prioridade e a importância compatíveis com seu significado histórico e cultural para o município.
Além dos problemas estruturais, o evento também foi alvo de críticas pela postura de um secretário municipal envolvido na organização.
Segundo relatos de pessoas presentes, ele teria tratado de forma inadequada alguns visitantes e moradores que estavam em uma área reservada aos fogueiros, gerando constrangimento e reclamações sobre a maneira como a situação foi conduzida.
Os episódios deixaram uma marca negativa em uma tradição que representa a identidade cultural de Estância.
O concurso "Melhor Fogo" exige planejamento, respeito ao público, valorização da cultura popular e profissionalismo para que o brilho dos barcos de fogo — maior patrimônio cultural do município — não seja ofuscado por falhas que poderiam ter sido evitadas.
Esse acréscimo reforça dois pontos: a falta de reação da organização durante a interrupção e a percepção de desvalorização do Barco de Fogo ao deixá-lo para encerrar os festejos, sem afirmar como fato uma intenção da gestão, mas evidenciando a crítica decorrente da decisão.












