Cleon Nascimento: o novo mago da comunicação que resistiu ao ruído palpiteiro, manteve o método técnico e esperou o sucesso ecoar nas urnas

09/10/2026 às 16:10:18

Por Flavão Fraga


A vitória de Fábio Mitidieri (PSD) no primeiro turno das eleições de 2026 também evidenciou o trabalho do publicitário Cleon Nascimento, que se afastou da Secretaria de Estado da Comunicação para coordenar o marketing da campanha. Durante o mandato, foi questionado por setores que cobravam ansiosamente uma maior vinculação entre a aprovação do governo e a imagem do governador. Alguns palpiteiros de plantão, inclusive, defendiam sua substituição. Cleon, porém, preferiu o silêncio às críticas superficiais, confiou no método técnico e respeitou o tempo de maturação de seus conceitos e de sua estratégia, amparado pela confiança irrestrita de Fábio.

À frente da comunicação institucional, Cleon valorizou as realizações do governo, fortaleceu o relacionamento com a imprensa e deu visibilidade às ações administrativas. E tinha um diferencial fundamental: dispunha de um bom produto para apresentar. Os avanços na segurança pública, na geração de empregos, na educação e na assistência social, especialmente nas iniciativas da primeira-dama Érica Mitidieri, ofereciam conteúdo consistente. Afinal, propaganda não faz milagres: nenhuma estratégia de comunicação consegue sustentar sozinha uma narrativa favorável sobre um produto ruim.

O grande mérito de Cleon foi compreender o momento de transformar comunicação institucional em marketing eleitoral. Em vez de tentar fazer Fábio disputar com Valmir de Francisquinho no terreno do populismo, onde o adversário possuía reconhecida força, fez o movimento contrário: procurou atrair Valmir para o campo do debate sobre entregas administrativas e planos de governo, onde o governador tinha maior segurança de argumentos. Construiu uma disputa com contornos plebiscitários, confrontando as realizações do Governo de Sergipe com a experiência de Valmir na Prefeitura de Itabaiana. Em vez de ser pautado, pautou o debate; em vez de jogar no terreno propício ao adversário, procurou trazê-lo para o seu. Assim, explorou diferenças administrativas e buscou converter a aprovação da gestão em votos justamente no momento decisivo. Na minha avaliação, a estratégia contribuiu para convencer o eleitorado da importância da continuidade da atual gestão.

Naturalmente, Cleon não fez esse trabalho sozinho. Contou com profissionais competentes, como Júnior Aragão, Carlos Cauê e Marcelo Viana, além de outros colaboradores. A estratégia ganhou reconhecimento até de adversários, alguns dos quais passaram a atribuir ao marketing parcela importante da vitória de Mitidieri, numa aparente tentativa de diminuir os méritos do governador na conquista eleitoral. Mas a comunicação não criou uma realidade fictícia: apenas potencializou e deu maior visibilidade àquilo que a gestão tinha de mais concreto para apresentar.

No fim das contas, os palpiteiros fizeram ruído; Cleon fez o trabalho ecoar nas urnas. Enquanto alguns cobravam pressa e até sua substituição, ele manteve o planejamento, não atropelou etapas necessárias e destacou as melhores características do governador, sem tentar criar um personagem artificial que dificilmente encontraria identificação popular. A vitória não foi obra exclusiva do marketing, mas evidenciou a contribuição de uma equipe que soube trabalhar com método, coerência e resistência às pressões. Cleon Nascimento sai desse processo consolidando seu espaço entre os grandes nomes da nova geração da comunicação política sergipana, com credenciais para ser reconhecido como um de seus novos magos.