Aracaju amplia vacinação contra HPV para crianças vítimas de violência sexual

23/09/2026 às 17:07:46

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), ampliou a vacinação contra o HPV para crianças a partir dos dois anos de idade vítimas de violência sexual. A medida, que segue as orientações do Ministério da Saúde, está disponível nas 45 Unidades de Saúde da Família (USFs) da capital e em serviços de referência da rede, como a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, o Hospital Santa Isabel e o Hospital da Mulher e Maternidade Lourdes Nogueira (HAMA). A estratégia busca ampliar a proteção e integra o atendimento às vítimas de violência sexual, com acolhimento humanizado, sigiloso e livre de julgamentos.

A vacinação contempla vítimas de violência sexual de dois a 45 anos. Para ter acesso ao imunizante, não é necessário apresentar boletim de ocorrência ou relatório médico. Nos casos em que a vítima já tenha recebido atendimento em outro serviço de saúde, a orientação é levar à sala de vacinação os documentos disponíveis, a fim de auxiliar na avaliação e no registro do atendimento. A ampliação da faixa etária considera o cenário de violência sexual registrado entre crianças no município.

Segundo a coordenadora de Vigilância em Saúde da SMS, Duanne Marcele, a inclusão de crianças a partir dos dois anos na estratégia representa uma medida de proteção diante dos registros de violência sexual nessa faixa etária. “Infelizmente, sabemos que a violência sexual também atinge crianças muito pequenas e que existe uma parcela importante de notificações nessa faixa etária”, afirmou. De acordo com ela, a vacinação se soma às ações de atendimento já realizadas pela rede municipal e busca garantir o acesso das vítimas ao cuidado necessário.

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação/Vigilância de Violências e Acidentes (Sinan/Viva) registraram 702 notificações de violência sexual contra crianças de zero a 11 anos residentes em Aracaju entre 2015 e 2025. Desse total, 87 notificações envolveram crianças de dois anos e 82, crianças de três anos. As meninas correspondem à maioria dos registros, com 576 notificações, enquanto os meninos somam 126. A residência aparece como o principal local de ocorrência, com registros envolvendo pessoas do círculo de convivência das vítimas, como pais, amigos e conhecidos da família. Santa Maria e Santos Dumont estão entre os bairros com maior número de notificações.

Para a referência técnica do Núcleo de Prevenção de Violências e Acidentes (Nupeva), Lidiane Gonçalves, os números registrados não representam necessariamente toda a dimensão da violência sexual contra crianças, devido à possibilidade de subnotificação. Segundo ela, há um cenário preocupante relacionado à violência sexual na primeira infância, especialmente entre crianças de zero a seis anos. Lidiane destaca ainda que uma parcela importante das notificações está concentrada entre crianças de três e quatro anos, reforçando a necessidade de identificação e registro dos casos pelos profissionais de saúde.

A rede municipal de saúde está estruturada para identificar, acolher, notificar, encaminhar e acompanhar casos suspeitos ou confirmados de violência sexual. A suspeita pode surgir a partir do relato da própria vítima ou de terceiros, como familiares, responsáveis, profissionais da educação e vizinhos, além da identificação de sinais físicos ou comportamentais. De acordo com os fluxos de vigilância em saúde, a notificação de casos suspeitos ou confirmados de violência sexual contra crianças e adolescentes é compulsória e deve ser acompanhada de investigação imediata, com preservação da privacidade e garantia de um ambiente seguro para o atendimento.

A SMS também reforça a importância da notificação mesmo quando a vítima já tenha sido atendida anteriormente em outro serviço de saúde. Conforme Lidiane Gonçalves, cada atendimento deve ser registrado para contribuir com a construção de um perfil epidemiológico mais próximo da realidade de Aracaju. A medida permite dar maior visibilidade aos casos e fortalecer as ações de prevenção e proteção. Nesse contexto, a ampliação da vacinação contra o HPV para crianças a partir dos dois anos vítimas de violência sexual passa a integrar o conjunto de medidas de cuidado oferecidas pela rede municipal.

Fonte: Universo Político