Após vestir vermelho no primeiro turno, família Reis fica multicolorida, divide apoios entre Lula e Flávio e revive a tática de “um pé em cada canoa”

10/10/2026 às 13:31:36
Imagem ilustrativa, desenvolvida e editada através do uso de inteligência artificial.
Resumo: Após defender o “Lula lá” no primeiro turno, Fábio Reis passa a apoiar Flávio Bolsonaro, enquanto Sérgio Reis permanece com o presidente petista. A divisão provoca críticas sobre uma possível estratégia familiar para preservar sua influência política, independentemente do resultado final das urnas. Navegar em barcos opostos e amanhã se reencontrar na raia vencedora? Será?

Por Flavão Fraga

 

A mudança de posicionamento do deputado federal Fábio Reis (PSD) entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 chamou bastante atenção na política sergipana. Durante a primeira etapa da disputa, o parlamentar e seu irmão, o prefeito de Lagarto, Sérgio Reis, defenderam a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, objetivando surfar na onda vermelha, em um município tradicionalmente identificado com o eleitorado lulista. E a votação do deputado Fábio Reis foi engrossada com mais esse ingrediente que ajudou a impulsionar a sua margem de votos em Lagarto. Agora, segundo as informações apresentadas, Fábio passou a declarar apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto Sérgio mantém sua posição favorável a Lula.

A divisão abre espaço para uma interpretação política: a família Reis estaria procurando manter canais de relacionamento com os dois campos que disputam a Presidência da República. De um lado, Sérgio Reis tentaria preservar a proximidade com o governador Fábio Mitidieri e com o senador Rogério Carvalho (PT), reeleito em 2026 e importante interlocutor de investimentos federais do atual governo federal para Lagarto. Do outro, Fábio Reis buscaria aproximação com Flávio Bolsonaro, em sintonia com interesses de alguns dos seus líderes congressistas e, também, visando participar de um eventual novo governo de direita.

A estratégia de repartir apoios entre diferentes agrupamentos não seria uma novidade na trajetória política da família Reis. Em disputas anteriores, integrantes do grupo Saramandaia estiveram em palanques adversários, como nos tempos em que parte da família apoiava o saudoso Marcelo Déda, enquanto a então deputada estadual Goretti Reis, tia de Fábio e Sérgio, fazia campanha aberta para o adversário João Alves Filho. O histórico ajuda a compreender uma característica recorrente das articulações familiares: a aposta em relações políticas com campos distintos, mesmo quando seus integrantes disputam projetos eleitorais opostos, mas com a intenção de se unirem mais adiante e manterem, de alguma forma, a família Reis na órbita do poder.

O episódio também provoca críticas e apontamentos sobre uma suposta postura oportunista do parlamentar reeleito diante dos eleitores esquerdistas que o apoiaram recentemente. Parte do eleitorado de Fábio Reis pode ter associado seu posicionamento no primeiro turno à defesa da continuidade do governo Lula. A posterior declaração de apoio ao adversário do presidente, o candidato Flávio Bolsonaro, deve provocar decepção entre aqueles que consideravam o alinhamento presidencial um elemento fundamental na escolha do seu deputado federal.

Reeleito para mais um mandato, Fábio Reis não disputa cargo neste segundo turno, e talvez por isso o parlamentar pouco esteja preocupado com a opinião pública sobre a sua nova aliança nacional. Parece agora ser mais importante definir um canal de abertura de diálogo com um possível governo de direita, buscando fixar espaços de influência em Brasília.

Diante desse aparente comportamento dúbio adotado pelos irmãos Fábio e Sérgio Reis, que, em um segundo turno presidencial acirrado, teriam decidido lançar “uma perna para cada embarcação”, ficam pistas de que o pano de fundo dessa movimentação seria apenas ter membros da família em ambos os lados, com a intenção de manter a zona de influência no poder nacional, independentemente de quem vença a disputa presidencial.

Coerência, discurso e ideais seriam os menos importantes: seriam meros acessórios diante da sede demasiada pelo poder.