Alessandro Vieira rejeita apoio à reeleição de Davi Alcolumbre e anuncia apoio a candidatura alternativa

03/11/2026 às 16:40:06
Foto: Ton Molina/Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou, nesta quinta-feira (29 de outubro), que não apoiará a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à Presidência do Senado Federal. A decisão foi divulgada nas redes sociais, onde o parlamentar denunciou a existência de uma possível articulação política para impedir a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e processos de impeachment em troca de apoio à permanência de Alcolumbre no comando da Casa. Vieira também confirmou que participará da construção de uma candidatura alternativa para a eleição da Mesa Diretora, marcada para 1º de fevereiro de 2027.

Ao justificar sua decisão, o senador afirmou que já havia comunicado pessoalmente a Alcolumbre que não contará com seu voto. Vieira classificou a possível articulação como um “megaacordão” destinado a evitar investigações sobre autoridades dos três Poderes. “A minha posição é pública e foi comunicada serenamente ao próprio Davi: não conte com o meu voto”, afirmou.

O parlamentar também questionou a postura de senadores que assumiram compromissos públicos de combate à corrupção e de investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Vieira, a busca pela pacificação política não pode servir de justificativa para impedir apurações ou tolerar possíveis irregularidades. “O evento mais importante para o futuro do Brasil segue em organização célere e discreta: o megaacordão para abafar simultaneamente todos os escândalos que atingem poderosos nos três Poderes”, declarou.

Na avaliação do senador, a próxima presidência do Senado deverá ser orientada por três compromissos: respeito ao resultado das eleições presidenciais, transparência e combate à impunidade, além da construção de uma agenda legislativa voltada à solução de problemas estruturais do país. Vieira também defendeu que a escolha do próximo presidente da Casa não seja utilizada como prolongamento da disputa eleitoral nacional. “Concordo que o Brasil precisa de urgente pacificação, mas ela não pode ser construída com base em impunidade e cinismo, ignorando a vontade amplamente manifestada pela sociedade brasileira”, afirmou.

Entre as prioridades legislativas mencionadas pelo parlamentar estão a estabilidade fiscal, a realização de eleições mais baratas e justas, o enfrentamento ao crime organizado e a recuperação da credibilidade da Justiça. Vieira argumentou que já existem propostas capazes de contribuir para esses objetivos, mas que a falta de articulação política impede o avanço das iniciativas. “A eleição no Senado não representa um terceiro turno. As eleições presidenciais acabaram e Lula venceu”, enfatizou.

Ao defender a necessidade de uma nova liderança para o Senado, Alessandro Vieira ressaltou que a mudança na condução da Casa depende de disposição política para tirar projetos do papel. O senador afirmou que as propostas necessárias já existem, mas precisam de apoio e liderança para avançar. “Já existem diversos bons projetos que caminham nessa direção, o que falta é liderança e vontade política”, destacou.

A eleição da Mesa Diretora, prevista para 1º de fevereiro de 2027, deverá definir quem comandará o Senado Federal no próximo período legislativo. Ao anunciar sua participação na construção de uma candidatura alternativa, Vieira defendeu a mobilização de parlamentares em torno de uma nova proposta para a instituição. “A mudança que tantos desejam não vai cair do céu ou chegar pelas mãos de um salvador da Pátria. Vai chegar pelo trabalho de muita gente, começando agora”, concluiu.

Fonte: O Caju