“O escândalo do Banco Master escancara a infiltração do crime organizado nas mais altas esferas do poder no Brasil”, diz Alessandro Vieira

05/03/2026 às 16:18:51
Foto: Edilson Rodrigues

O senador Alessandro Vieira (MDB/SE), relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que os desdobramentos recentes do caso envolvendo o Banco Master revelam um quadro grave de infiltração criminosa nas estruturas institucionais do país. Segundo ele, os fatos já conhecidos representam apenas uma parte de um cenário ainda maior de corrupção e influência indevida sobre autoridades públicas.

Vieira afirmou que os indícios reunidos até agora reforçam a tese de que o grupo investigado atuava de forma organizada para capturar instituições e obter vantagens ilícitas. “O que já foi divulgado representa apenas uma fração mínima de uma realidade institucional degradada. Estamos diante de uma organização criminosa estruturada para se infiltrar nas instituições por meio de corrupção, compra de apoio e sedução de autoridades”, afirmou o senador.

Para o parlamentar sergipano, as reações observadas nas últimas horas indicam que há forte resistência ao avanço das investigações. Ele avalia que decisões judiciais e movimentos institucionais recentes demonstram uma tentativa de frear a apuração do caso. “Como se espera em crises dessa proporção, as resistências são enormes. Há uma operação abafa em curso, com apoios de vários lados”, declarou.

Alessandro Vieira também criticou decisões que, segundo ele, interferem diretamente no andamento das investigações e no trabalho do Congresso. O senador citou como exemplo a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu medidas adotadas pela comissão parlamentar.

Na avaliação do relator da CPI, a medida representa uma interferência indevida no funcionamento do Legislativo e será contestada judicialmente. “É uma decisão absolutamente descabida do ponto de vista jurídico, que será enfrentada pelos meios legais. O Senado não pode abrir mão de seu papel constitucional de fiscalizar”, disse.

Alessandro também afirmou que o escândalo não possui viés ideológico e que os desdobramentos da investigação podem atingir diferentes grupos políticos. “O escândalo do Master é ecumênico. A compra de influência se deu de forma indiscriminada. Vamos ver nomes relevantes da esquerda, da direita e do centro do espectro político brasileiro envolvidos nesse processo”, apontou.

O senador destacou ainda que as investigações em andamento em diferentes órgãos, como Polícia Federal, Banco Central do Brasil e Tribunal de Contas da União, tornam praticamente impossível que o caso seja ocultado. “Estamos diante de um volume muito grande de informações. Esse dinheiro circulou por fundos, fintechs e estruturas de lavagem que são rastreáveis. É impossível esconder um escândalo dessa magnitude”.

Vieira também ressaltou que o julgamento político de eventuais responsabilidades de autoridades com prerrogativa de função caberá ao Senado, conforme prevê a Constituição. “O julgamento final da conduta eventualmente criminosa de ministros não acontece no Supremo. Ele ocorre no Senado. Talvez tenha chegado a hora de o Senado romper dois séculos de omissão”, declarou.

Diante da dimensão do caso, o parlamentar defendeu a mobilização da sociedade e valorização do trabalho da imprensa para garantir que as investigações avancem. “Vamos precisar de muita resiliência para enfrentar esse tsunami de lama. Eu vou fazer a minha parte até o último segundo, doa a quem doer”, ressaltou o senador.