SES inicia Semana do Glaucoma e alerta para importância do diagnóstico precoce em Sergipe

10/03/2026 às 10:07:34
Felipe Goettenauer

A Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe iniciou nesta segunda-feira (9) a Semana do Glaucoma, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença. A iniciativa é realizada por meio do Centro Especializado em Reabilitação José Leonel Aquino e também busca reduzir o estigma relacionado à deficiência visual.

A ação reforça o papel do Sistema Único de Saúde no acompanhamento de pacientes em todas as etapas do cuidado, desde a prevenção até a reabilitação. Embora o CER IV atue principalmente com pessoas que já apresentam sequelas visuais, a unidade também desenvolve atividades educativas voltadas à conscientização da população.

Segundo a gestora operacional da Reabilitação Visual do CER IV, Ana Carolina de Jesus, a integração da rede de saúde é essencial para evitar que a doença avance.
“O ideal é que o paciente seja diagnosticado o quanto antes, evitando que chegue a um estágio em que precise de reabilitação. Por isso, durante a Semana do Glaucoma reforçamos a importância da prevenção e do acompanhamento oftalmológico regular”, destacou.

Doença silenciosa

De acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma, entre 80% e 90% dos casos da doença não apresentam sintomas nas fases iniciais, o que torna o diagnóstico precoce ainda mais importante.

O glaucoma é uma doença crônica, sem cura, mas que pode ser controlada com tratamento contínuo. A oftalmologista do CER IV, Juliana Franca Machado, explica que os primeiros sinais costumam aparecer quando a doença já está mais avançada.

“O sintoma mais comum é a perda do campo visual. A pessoa pode começar a esbarrar em objetos ou perceber dificuldade para enxergar o que está nas laterais, porque a perda visual geralmente começa pela periferia”, afirmou.

Segundo a especialista, também existem casos mais raros, conhecidos como crise aguda de glaucoma, em que a pressão dentro do olho aumenta rapidamente, provocando dor intensa, vermelhidão, dor de cabeça forte, náuseas e vômitos. Nesses casos, o atendimento médico imediato é fundamental para evitar danos irreversíveis ao nervo óptico.

Importância do acompanhamento

A principal recomendação dos especialistas é realizar consultas oftalmológicas regularmente, pelo menos uma vez por ano. Para pacientes que já possuem diagnóstico de glaucoma, o acompanhamento pode ser mais frequente, dependendo da gravidade do caso.

A doença também pode ter fator hereditário, o que aumenta o risco para pessoas que têm histórico familiar. Ainda assim, mesmo quem não possui casos na família pode desenvolver o problema, o que reforça a importância dos exames preventivos.

O aposentado José Delfino de Sousa, de 63 anos, morador do município de Campo do Brito, relata que começou a perceber sintomas da doença em 2017.
“Quando procurei o médico, já fui informado de que o olho direito estava praticamente sem visão. Desde então sigo em tratamento. Hoje enxergo cerca de 30% a 40% com o olho esquerdo. Mesmo assim, o acompanhamento e o apoio da equipe ajudam muito no dia a dia”, contou.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico do glaucoma é feito por meio de avaliação oftalmológica completa, que inclui a medição da pressão intraocular, exame de fundo de olho e exames complementares, como campo visual e Tomografia de Coerência Óptica.

Nos estágios iniciais, a perda visual costuma atingir a visão periférica. Com a evolução da doença, a visão central também pode ser comprometida, podendo levar à cegueira.

*Atendimento especializado*

O CER IV oferece serviços de reabilitação visual para pessoas com deficiência visual causada por glaucoma. Pacientes com diagnóstico da doença podem procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para obter encaminhamento e realizar avaliação especializada.

Na unidade, os pacientes recebem acompanhamento de uma equipe multidisciplinar formada por terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais.

Além dos atendimentos individuais, o centro também desenvolve atividades terapêuticas e projetos voltados à autonomia dos pacientes, incluindo grupos terapêuticos, práticas de pilates, treinamento de orientação e mobilidade e atividades voltadas para a rotina diária, contribuindo para a reabilitação e melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência visual.

Com informações do F5 News