Sergipe registra maior índice de consumo precoce de álcool entre adolescentes do Nordeste, aponta IBGE

31/03/2026 às 10:40:27

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou que Sergipe lidera o consumo precoce de bebidas alcoólicas entre estudantes no Nordeste. De acordo com a edição 2024 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgada nesta segunda-feira (30), cerca de 30% dos alunos entre 13 e 17 anos afirmaram ter ingerido álcool pela primeira vez aos 13 anos ou menos.

O percentual é superior à média nordestina, de 25,4%, e se aproxima do índice nacional, que é de 29,3%. Entre as capitais da região, Aracaju aparece com a segunda maior proporção de consumo precoce, com 32,3%, número próximo ao registrado em Salvador, que tem 32,5%.

Outro dado destacado pela pesquisa mostra que Sergipe possui a maior proporção de adolescentes com pais ou responsáveis que consomem bebidas alcoólicas no país, atingindo 62,3%. O índice supera as médias do Nordeste (57,7%), da Região Norte (55,6%) e do Brasil (61,5%). Entre as meninas, o percentual chega a 65,7%, enquanto entre os meninos é de 58,7%. Na rede privada, 74,7% dos estudantes relataram o consumo por parte dos responsáveis, contra 59,4% na rede pública. Em Aracaju, o número alcança 69,7%, o mais alto entre as capitais brasileiras.

Mais da metade já experimentou bebida alcoólica

Ainda conforme o levantamento, 55,1% dos estudantes sergipanos entre 13 e 17 anos já consumiram bebida alcoólica alguma vez, o equivalente a cerca de 74 mil jovens. O índice também é o maior do Nordeste, cuja média é de 48,6%, e fica acima da média nacional, de 53,6%. O consumo é mais frequente entre meninas (60,4%) do que entre meninos (49,5%).

Entre os adolescentes que já beberam, 13,4% relataram consequências relacionadas ao consumo, como conflitos com familiares ou amigos, faltas às aulas ou envolvimento em brigas.

Tabagismo e cigarro eletrônico

A pesquisa aponta ainda que 12,8% dos estudantes em Sergipe disseram já ter experimentado cigarro. O percentual é menor que o registrado no Nordeste (15%) e no Brasil (18,5%). Na rede pública, o índice é de 13,7%, enquanto na rede privada é de 8,8%. Em Aracaju, 19% dos alunos da rede pública afirmaram já ter fumado.

Segundo os dados, a principal forma de acesso ao cigarro foi a compra direta em estabelecimentos comerciais, como bares e lojas. Na capital sergipana, 42% dos estudantes indicaram esse meio.

Já o uso de cigarro eletrônico foi relatado por 21,8% dos adolescentes no estado, índice próximo ao da região Nordeste (22,5%) e inferior à média nacional (29,6%). A comercialização desses dispositivos é proibida no país pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária desde 2009, com reforço das restrições em 2024.

Uso de drogas ilícitas

O levantamento também mostrou que 5,5% dos estudantes sergipanos disseram já ter experimentado alguma droga ilícita, percentual abaixo do registrado no Nordeste (6,1%) e no Brasil (8,3%).

A PeNSE é realizada periodicamente desde 2009 pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e tem como objetivo avaliar fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes, abordando temas como alimentação, atividade física, saúde mental e uso de substâncias.