Senador Alessandro protocola pedido de prorrogação de CPI do Crime Organizado

07/04/2026 às 08:26:04

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou, nesta segunda-feira (6), requerimento para prorrogar por mais 60 dias os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. A iniciativa já conta com o apoio de 28 senadores, número superior ao necessário para a tramitação do pedido.

Criada para investigar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no país, a CPI avançou sobre estruturas complexas de financiamento ilícito e identificou indícios de infiltração dessas organizações na economia formal, por meio de mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro. “Ficou evidenciado que o crime organizado atua hoje com estruturas comparáveis a corporações transnacionais, dotadas de complexas redes de lavagem de capitais, que se valem de brechas regulatórias e da cooptação de agentes públicos e privados nos mais altos níveis de poder”, afirma o relator ao justificar a continuidade e o aprofundamento das investigações, especialmente diante dos desdobramentos do caso Master.

Vieira aponta que a CPI possui um volume expressivo de documentos a serem analisados, oriundos de todo o acervo informacional e probatório reunido ao longo das investigações. Além disso, os trabalhos chegaram a uma fase crítica, que exige o cruzamento meticuloso de dados sensíveis e a realização de oitivas consideradas imprescindíveis. “A teia de relações revelada pelo caso Master alcança dimensões alarmantes de risco sistêmico e corrupção”, afirma.

No documento, o relator também destaca a insuficiência de tempo para concluir o diagnóstico sobre a atuação de facções criminosas e milícias nos diferentes estados da federação, sendo necessário ouvir governadores e secretários de segurança pública de unidades federativas com distintos níveis de segurança.

Para o senador, a prorrogação é essencial para evitar o encerramento prematuro dos trabalhos e assegurar a entrega de resultados concretos, com impacto real no combate ao crime organizado no Brasil. “O encerramento prematuro desta CPI representaria não apenas um retrocesso inaceitável na elucidação completa da infiltração do crime organizado nos mais diversos setores da economia brasileira, mas também um prejuízo incalculável ao interesse público”, conclui.

Assinaram o requerimento os senadores:
    1.    Alessandro Vieira (MDB/SE)
    2.    Flávio Arns (PSB/PR)
    3.    Esperidião Amin (PP/SC)
    4.    Jorge Kajuru (PSB/GO)
    5.    Fabiano Contarato (PT/ES)
    6.    Mara Gabrilli (PSD/SP)
    7.    Jaime Bagattoli (PL/RO)
    8.    Styvenson Valentim (PSDB/RN)
    9.    Sergio Petecão (PSD/AC)
    10.    Plínio Valério (PSDB/AM)
    11.    Wellington Fagundes (PL/MT)
    12.    Jayme Campos (UNIÃO/MT)
    13.    Vanderlan Cardoso (PSD/GO)
    14.    Hamilton Mourão (REPUBLICANOS/RS)
    15.    Wilder Morais (PL/GO)
    16.    Eduardo Girão (NOVO/CE)
    17.    Damares Alves (REPUBLICANOS/DF)
    18.    Luis Carlos Heinze (PP/RS)
    19.    Sergio Moro (UNIÃO/PR)
    20.    Paulo Paim (PT/RS)
    21.    Cleitinho (REPUBLICANOS/MG)
    22.    Astronauta Marcos Pontes (PL/SP)
    23.    Leila Barros (PDT/DF)
    24.    Confúcio Moura (MDB/RO)
    25.    Magno Malta (PL/ES)
    26.    Oriovisto Guimarães (PSDB/PR)
    27.    Carlos Viana (PODEMOS/MG)
    28.    Lucas Barreto (PSD/AP)